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terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Água na tequila

     "De volta ao front!", diria aos urros ingleses o magrelo da guitarra pontuda. Algumas provas, trabalhos e estádios substituídos depois, voltamos a este espaço motivados por um trago aguado servido na Capital Interestelar da Bierchoppfest. Nada de errado com os aperitivos, gelados de dar nó na goela, servidos na mais popular prévia dos festejos são-sebastiânicos. Mas batedores de cabeça, agressores profissionais de cordas, tambores e microfones e demais usuários de camisetas pretas, que aguardavam para chacoalhar seus pescoços com um show do Tequila Baby, sentiram-se na pele de um motorista que acaba de descobrir que seu novíssimo Corcel II ano 1978 precisa receber a primeira manutenção. O Tequila Baby em Venâncio Aires virava um show que foi sem nunca ter sido.
     Tudo começa no dia 17 de outubro, quando a página do Burn Head Festival no Facebook anuncia que a próxima edição do evento está por acontecer. A confirmação do lineup definitivo veio no dia 6 de novembro. Estava tudo lindo e formoso para que a função rolasse no Doctor Pub, no dia 1º de dezembro. Até que no último dia 21, uma primaveril e futebolística quarta-feira, o Portal RVA lascou: o Burn Head Festival traria o Tequila Baby a Venâncio Aires. Fogos de artifício foram lançados, cervejas abertas sem pudor e guitarristas giravam o botão de overdrive de seus amplificadores em sentido horário como se não houvesse amanhã. A imprensa divulgava (inclusive este escriba, no jornal e internet), o letreiro eletrônico (grande denominação) do Doctor Pub anunciava pimpão e faceiro o show e até mesmo os ingressos estavam colocados à venda. Foi aí que perceberam que havia uma sabotagem hidro-oxigenada na taça.
Tequila Baby em Venâncio: the thing that should not be (Foto: facebook.com/burnheadfestival)
    Passados cinco dias do anúncio, a produção da banda contatou o repórter Felipe Kroth, do Portal RVA, para desmentir a incursão tequileira por estas terras. A alegação era quebra de contrato, pois o show tido como principal no Burn Head seria somente com o microfonista Duda Calvin, sem nenhum de seus fiéis escudeiros. O buchicho começou a correr frouxo nas redes sociais da vida até que o anúncio oficial veio na quinta, 29 de novembro, quando faltavam só dois para que os alto-falantes supostamente roncassem: o festival estava de fato cancelado. Outra vez, quem serviu de porta-voz foi a página facebookiana do evento. Lá, o patrão da festa, Guilherme Gassen, botou a responsabilidade no proprietário da casa Doctor, Eduardo Kappel. Este teria confirmado ao festival (leia-se ao Guilherme) que o show seria, de fato, do Tequila Baby, não apenas de Duda Calvin. A quebra de contrato cancelou qualquer vestígio de sal ou limão que a festa pudesser vir a ter. E a celeuma entre organizador e dono do bar deixou as bandas sem eira, beira ou lugar pra tocar: o Burn Head Festival havia virado fumaça.
     Fomos, pois, em busca de respostas dos envolvidos. A começar por Gassen, que repetiu o que já havia espalhado por vias internéticas: "o (Eduardo) Kappel me ligou perguntando se eu achava que viria muita gente na festa com um show do Tequila Baby. Disse que sim e dois dias depois ele me ligou, dizendo que confirmou Tequila. Eu feliz fiz a divulgação, mas deu no que deu". Logo depois, o dono do Doctor Pub teria voltado atrás e dito que afirmava desde o começo que o show era de Duda Calvin, não do Tequila. O que o festeiro não aceita. "Liguei pra ele e ele negou tudo, dizendo que tinha dito que era o Duda Calvin. Se era o Duda Calvin, por que no painel digital do Doctor estava escrito 'Tequila Baby no Doctor dia 01/12' e no painel na frente do Doctor dizia a mesma coisa?", indaga o promotor - que disse ainda não ter checado a situação com a banda, pois o contato era feito através da casa de shows e seu proprietário.
Os lajeadenses do Difteria: uma das bandas a ficar sem tequila para beber ou tocar (Foto: Jean Ganguilhet/disponível em facebook.com/bandadifteria)
     Já Kappel, o Eduardo, vulgo Duda, conta outra história. Em rápido contato preliminar deste com quem vos escreve, disse ter cancelado o show por um erro de alguém que fez a divulgação antes da hora e de maneira errada - assim, sem citar nomes, nem especificar se "o show" refere-se ao Tequila Baby ou ao Duda Calvin. Repito: o contato que tive com Kappel foi muito breve. Mas ele se dispôs a dar mais explicações sobre os acontecimentos. Portanto, novidades podem florescer vindas deste lado. De qualquer forma, o festival já estava condenado ao repouso no vinagre. Entramos em contato ainda com a produção do Tequila Baby, pelos meios indicados no site oficial da banda. Mas até o momento, nada de resposta.
     O que restou foi uma noite de sábado com portas fechadas no Doctor Pub, cabos desplugados para as bandas que, tequilas à parte, estavam com o gatilho puxado para tocar (registre-se: o festival previa shows com Pull the Trigger, Rotten Filthy, Fabulous Disaster, Difteria e Porunspilla) e camisetas pretas penduradas no armário, por headbangers que viram o tablado tornar-se a única opção coletiva de diversão naquela fatídica véspera de Gre-Nal. Por alguns motivos ainda presos na obscuridão, o show do Tequila Baby tornou-se algo que aquele mesmo cidadão barbado e de longas madeixas citado na primeira frase do texto diria, há uns 25 anos, entre bases afiadas e fantoches manipulados: uma coisa que não deveria ser.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Ligeirezas do circo louco

     Chê, meu tempo neste início de semana tem sido menor do que a moral do Fernandão. Como já tivemos algumas impressões sobre o Slash sendo publicadas aqui no blog, vamos falar do show do Kiss e alguns outros acontecimentos que envolvam guitarra, bateria, bebida e demais itens essenciais para a boa sobrevivência humana.
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Foto: Kevin Winter/Getty Images/AFP/ www.simcoereformer.ca
     Começamos, óbvio, com o Kiss! Uma lástima apenas a mudança de local - do Zequinha Stadium, que comporta 25 mil humanos, para o Gigantinho, que aguenta mais ou menos umas 12 mil almas. A atmosfera ímpar de um show num estádio de futebol casaria perfeitamente com as extravagâncias e pirotecnias clássicas dos caras – que, diga-se, vão ficar prejudicadas com a realização do espetáculo num lugar fechado. De resto, porém, está tudo em casa: o Kiss de 2012 chega por aqui bem mais afiado que o de 1999. Os anos a mais nas costas de Paul Stanley e Gene Simmons são compensados pela presença do guitarrista Tommy Thayer e do excelente batera Eric Singer, responsáveis por dar à banda um fôlego que, com o perdão da heresia, os originais Ace Frehley e Peter Criss dificilmente conseguiriam. E como o Kiss fez da entrega no palco uma marca interestelar sua, a margem de erro desta véspera de feriado é próxima de zero.
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     Quem ficar nestas terras também vai encontrar atrativos. O Igo deve falar mais sobre isso na Agenda da Semana. E eu aproveito para destacar o Caras & Caras Ao Vivo, projeto da rádio Vênus FM que rola no Butecco Music Bar, em Venâncio. Primeiro, show de MPB/Bossa Nova/Samba com a cantora Stella Maris. Depois tocam os locais Barba Ralla e Dozeduro. É legal porque o projeto sempre dá vez aos artistas da região e desta vez vai adentrar o dia seguinte - uma bem-vinda novidade, ao meu ver. Mais adiante, tem outras coisas legais pra conferir: no sábado, em Lajeado, tem show do cantor Zé Ramalho, aquele que é exaltado por alguns como o Bob Dylan brasileiro. Domingo, em Santa Cruz, tem o Rock In Concert, no auditório da Unisc, onde vai rolar um show com uma fórmula não muito original - banda de rock (a HardRockers, que por sinal, não conheço) + orquestra (a Sinfônica da UCS) -, mas que não costumamos ter a oportunidade de ver de perto e por perto. 
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     As perspectivas econômicas para 2013 começam a entrar em estado ebulitivo. Agora, o Rock In Rio confirmou Alice in Chains e Muse (este como headliner) para a próxima edição. Rob Zombie também está por fechar. Já o Coldplay toca em Porto Alegre no dia 7 de fevereiro. Uma boa opção para quem aprecia o oposto do que é o rock'n'roll.
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     Leio que Neil Young lançou um clipe de 27 minutinhos, com a íntegra de sua faixa Driftin' Blac, do mais recente disco do cara, Psychedelic Pill. Vou ter que fechar com o supracitado Igo: é o cara do ano.
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     O INXS decidiu encerrar atividades. Foi uma banda marcante para quem viveu os anos 80 e 90, mas os caras fizeram o anúncio enquanto abriam para o Matchbox 20. Ou seja: já estava mais do que na hora de fazer isso.
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     Yoko Ono agradeceu a Paul McCartney, que disse há alguns dias não ter sido a mencionada senhora responsável pela separação dos Beatles. Pois bem. Mais informação, menos mitos. Ou, ao menos, conceitos bem diferentes de mitologia em nossas mentes. Isso dá pano pra manga, mas não agora. Ah, em tempo: eu gosto de Beatles e acho plenamente justificável que apontem eles como a melhor de todas as bandas. Mas, outra vez, não hoje. É dia 14 e meus tímpanos só receberão o que sair ou passar pelo crivo do baixo de Gene Simmons.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Missão muy grata pt. I & II - Mestres afiados, legados mantidos


     Gurizada medonha: ainda extasiado pelo fim de semana, trago aqui minhas impressões misturadas sobre os shows de Jack Bruce e Robert Plant em Porto Alegre. Para quem se interessar, há relatos individuais tanto da passagem de Bruce quanto da vinda de Plant. Os que foram num ou noutro estão convidados a usar os comentários para elogiar, comentar, xingar, dizer que fulano ou beltrano é o máximo (ou que está totalmente acabado) e assim por diante.

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     A primeira parte da autointitulada Missão muy grata consistia em ver, nos arredores do mesmo fim de semana, duas lendas extraídas da mesma frutífera época: o ex-baixista do Cream, Jack Bruce (que veio com sua Big Blues Band), e o eterno vocalista do Led Zeppelin, Robert Plant (que trouxe consigo a Sensational Space Shifters). Dois responsáveis diretos, pelas suas bandas, por delinear aqueles que seriam os pilares fundamentais do rock pesado nas décadas seguintes. E cujas primeiras (e talvez únicas) aterrissagens em terras sul-rio-grandenses não poderiam ser desprezadas.

Foto: Rio News/virgula.uol.com.br

     O primeiro a ser visto foi Bruce, que surgiu por trás das cortinas do Teatro do Bourbon Country na sexta-feira, 26. De cara, lascou um daqueles clássicos absolutos do gênero que a banda carrega no nome: First Time I Met the Blues, em versão power trio básico. Logo em seguida, veio ao palco o restante da formação, com teclado e naipe de metais. O reforço de contingente mostrou sua força já na terceira música da noite, Politician. O clássico do Cream, do álbum Wheels of Fire (1968), foi ovacionado logo de cara, com seu inconfundível riff, puxado pelo baixo trovejante de Bruce.
     O instrumento do capitão do time, diga-se, merece um parágrafo a parte. Por todo o show, o Warwick fretless (sem trastes) do homem esteve em volume consideravelmente mais alto do que o restante da banda. O sujeito da jaqueta preta ainda mostru extrema facilidade para executar seus fraseados fortes e precisos. Seu baixo literalmente estrondoso deu peso e consistência ao som de um grupo repleto de influências que não estavam necessariamente ligadas ao rock. Bruce ainda deixou o escudeiro de lado em alguns momentos para executar peças no teclado, como Theme for an Imaginary Western, de sua carreira solo.
     Como ex-membro de uma banda essencial na história do rock, é claro um número generoso de clássicos do Cream teriam de ser despejados. Assim, vieram ótimas versões para grandes músicas feito Born Under a Bad Sign, a obrigatória Spoonful (com mais de 10 minutos nada cansativos) e a dramática We’re Going Wrong. Nesta, o brilho foi todo do ótimo Tony Remy, guitarrista que executava cada nota com intensidade invejável. O guitarman fez as partes um dia gravadas por ninguém menos que o deus Eric Clapton sem abrir mão das suas características ou prescindir dos famosos bends blueseiros.
     A reta final do show chegou em altíssimo estilo: era a sensacional White Room, cuja introdução tocada de forma impecável exaltou os ânimos de um público que mantinha-se controlado e acomodado nas bem estofadas cadeiras do teatro. A seguir, um prolongado solo de bateria serviu de prenúncio ao momento mais aguardado da noite: Sunshine of Your Love. Neste momento, o respeito aos lugares numerados foi para o espaço com a excitação provocada por um dos melhores riffs já surgidos no rock’n'roll – e que teve uma roupagem interessante com o trio de sopros acompanhando as notas da guitarra. O sorridente Jack Bruce nem precisou pedir ao público que o ajudasse a cantar o refrão do maior clássico do Cream.
     A banda rapidamente deixa o palco e retorna para o bis, que trouxe o encerramento definitivo com outra música da lendária banda, o blues/rock Sitting on Top of the Wold. Terminava assim, com ares de aula, o show de Jack Bruce e seu grupo, que soube como poucos conduzir a mistura de um monte de nuances de blues e jazz. E que deu a certeza da obrigatoriedade do nome do sr. Bruce na lista do tema de casa de quem pretende estar autorizado a viver, tocar ou falar de rock’n'roll.

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     Segunda-feira, volta ao trabalho e é na estrada de novo. Desta vez para ir ao Gigantinho ver o show de outra divindade rockeira: Robert Plant. Confesso que, para ver o velho Robert, cumpri uma espécie de trajetória de preparação. A euforia gerada pelo anúncio do show chegou a dar lugar a uma perda quase que absoluta de meus próprios horizontes (vide este meu post no Twitter). Foi a chave para buscar mais informações sobre o que andava fazendo este alemão (chê, aqui quem tem cabelo loiro é alemão e não tem papo) de voz endiabrada. Foi a chave, também, para que me despisse de preconceitos e fosse ao pequeno Gigante com a mente arejada para apreciar o que Plant e sua banda Sensational Space Shifters tinham a oferecer.
     Findado o show de abertura (a cargo de, pasmem, Renato Borghetti, o Borghettinho), era hora de deixar a ansiedade massagear cada centímetro de pele do corpo. Até que, às 21h35min, Plant & seus sensacionais entram no palco, sob óbvia ovação de um público que encheu a casa para tomar a bênção do mestre. A abertura, como de praxe na turnê brasileira, veio com a forte Tin Pan Alley, que incendiou os pobres mortais em suas partes mais rápidas. Não demorou muito e veio Friends, a primeira peça zeppeliana da noite. Arranjo certeiro e o vasto potencial vocal de Plant posto em combinação com as memórias daquelas 10 mil almas, num momento de celebração quase hipnótico.

Foto: Rodrigo Kampf
     Transbordando carisma, Plant não tirava a expressão alegre do rosto e interagia com o público em frases breves. Vieram, então, as experimentações. Primeiro, com a Spoonful que já havia sido executada dias antes por Bruce. Mais adiante, com uma roupagem para Black Dog que, dos velhos tempos, conservou apenas a letra e a interação com o público no inconfundível “ah, ah…”. Na sequência, outra da carreira solo, a bela All the King Horses. Confesso que, mesmo com o já citado ritual feito, tive dificuldades para digerir alguns momentos do show. Por vezes, os arranjos soavam longos e enfadonhos. Quando a adrenalina baixava, porém, sempre havia um petardo do Zeppelin na manga, como Bron-Y-Aur Stomp e Four Sticks, onde foi possível ter o privilégio de ouvir uma das poucas incursões de Robert Plant em seus extraordinários agudos.
     A rotação do show ganharia novas e aceleradas proporções com a espetacular Ramble On. O clássico definitivo de Led Zeppelin II renovou o fôlego do espetáculo e arrancou dos pulmões dos presentes um grito intenso o suficiente para abafar o som vindo dos PAs durante o refrão, antes do encerramento com a obrigatória Whole Lotta Love. Que também veio em forma de releitura, mas com guitarras distorcidas, algo escasso neste estágio da carreira do homem.
     Quando parecia que o show havia atingido o ápice com Ramble On, uma das últimas do set inicial, veio o famoso bis programado, com o real momento de catárse: a sublime Going to California. Mais uma vez, precisão dos músicos da banda para tocar as partes um dia feitas por John Paul Jones e Jimmy Page, o que abriu caminho para (mais) uma interpretação impecável de Plant – cuja voz está em grandiosíssima forma, com evidente exceção para os tons agudos foram deixados de lado ao máximo. Uma dose de incredulidade e outra de absoluta aprovação tomaram-me durante esta música, que deu-me a sensação definitiva de satisfação por ter estado naquele lugar. Ainda houve tempo para uma empolgante versão de Rock and Roll – com rititi e sem solo. Um prólogo do clímax que já havia ocorrido com outro número do legendário Led Zeppelin IV.
     De maneiras que, guardadas as devidas proporções, são semelhantes, Jack Bruce e Robert Plant mostraram que estão afiados, esbanjando competência em uma altura considerável da idade e da carreira. Mesmo beirando os 70 anos, ambos percorrem o mundo sem medo de buscar novidades e jamais ignorando o brilhante passado – ainda que ajustando este a seus momentos atuais. Plant com mais ousadia, Bruce de um modo menos radical. Privilegiados que somos de vermos divindades rockers como estas ainda na ativa, se valendo da forma mais nobre possível para manter os legados deles e de seus antigos grupos: dando continuidade à obra.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Debut & Missão muy grata





        Buenas, gurizada medonha! Começo hoje, oficialmente (uh!!), minha colaboração aqui no Vales Independentes. Aqui vai um agradecimento ao Top, pelo convite; ao Rodrigo, pela ajuda na adaptação; e ao Márcio, por estar sempre armado com latas, garrafas, isopores, bolsas térmicas ou demais equipamentos vitais nos shows em que tropeçamos por aí. Quem conseguir aturar este espaço pode passar por aqui nas terça-feiras ou em demais dias da semana, conforme o humor e disposição de tempo do escriba. Os dotados de paciência budista podem ainda acessar este humilde blog, Alto e Bom Som, criado neste semestre como um projeto experimental para o curso de Jornalismo da Unisc. Vocês também podem ler a versão impressa da coluna, que sai de 15 em 15 dias no Jornal Folha do Mate, em Venâncio. Também ficam convidados para tomar uma cerveja, ver o show da minha banda, tomar outra, jogar futebol, abrir mais uma e assim por diante. Façamos isso a partir de agora, começando com este amoroso post abaixo: Missão muy grata. Hasta!

Foto: Mauro Pimentel/terra.com.br

Um lenço perfumado largado singelamente ao vento, do alto da sacada, pela mais formosa das donzelas. O anúncio da contratação do melhor jogador da última Copa do Mundo que vem no preciso momento em que a tela de inclusão de associado no clube está aberta no computador. Um programa governamental que oferece isenções absurdas e amordaça seu salário por duas meras décadas na compra da casa própria, quando acaba de ser consumada a peleia definitiva que te varre irremediavelmente do lar. É uma série de shows aterradores, irresistíveis, que arrebentam a saúde do bolso, mas sem a mesma intensidade que fuzilariam o orgulho próprio em caso de ausência em qualquer um deles.

"Ter" que assistir a shows de gente como Jack Bruce, Robert Plant, Slash, Kiss e Black Label Society, tudo num espaço de mais ou menos 20 dias, a menos de 150 quilômetros de casa, é o que vamos chamar aqui de Missão muy grata. Todos já estão um pouco (ou nem tão pouco) velhos, alguns deixaram os antigos cacoetes rockers para trás e outros às vezes até parecem estar lá apenas para que provem a si mesmos a capacidade de dar murro em ponta de faca. Não interessa. São mestres, deuses, mitos, lendas vivas da inebriação via barulho. Ver este quinteto de cativos do Panteão Supremo é garantir a bênção mais do que celestial - que, dados os termos dos fatos, vira artigo imprescindível para um fim de existência mais bazófio (ótima essa, hein?).

Como a proximidade dos tais shows provoca tremeliques em cada fio de barba, ousaremos desenhar uma prévia do que ocorrerá em cada espetáculo. Em complexa reunião, nosso colegiado de redatores sênior decidiu que começaremos por Bruce, Plant e por aquele outro cara da cartola. O grupo de eminentes justificou a decisão ao avaliar as contribuições o desenvolvimento artístico ultrajantemente arrojado praticado pelos bravos menestréis. Mentira. Esses shows são os primeiros da fila. Como não somos malucos, falaremos antes deles. Além disso, são os que acontecem antes da data-referência-mundana-mor para este blog, que é o dia 10. Que é o aniversário do presidente da nossa organização (salve, salve, uhul!). Eis nossos devaneios. Esperamos estar de volta no fim de semana mais importante do ano (o data citada ali em cima), extasiados e prontos para o fim do ritual.

Jack Bruce

É estranho ver que, dentro do próprio meio blues/rock/metal, Jack Bruce não receba mais menções, citações, adorações e afins do que na quantidade que de fato acontece. Além de exímio baixista, Bruce tocou com uns carinhas como Ginger Baker e Eric Clapton no Cream, onde também era vocalista. Isso já seria o suficiente para garantir uma vida toda de louvor, mas ele também fez parte do Graham Bond Organization, John Mayall & the Bluesbreakers, West, Bruce & Laing, Ringo Starr & His All-Starr Band e mais um punhado de grupos, até chegar no atual Jack Bruce & his Big Blues Band.
Bruce, que é aquele cara que falou algumas coisas meio, err, atípicas sobre o Led Zeppelin há algum tempo, anda por aí com um time de músicos competentes ao seu lado e parece ter resolvido tocar de tudo um pouco. Há versões de músicas de todas as fases da carreira do homem, com guitarras, teclados, naipe de sopros e, claro, um dos baixos mais presentes e insinuantes de que se tem notícia. Pelos vídeos que se veem por aí, ele não usa mais aquele extraordinário modelo Gibson SG (!), que mais parece a guitarra de Angus Young. Em se tratando de Jack Bruce, porém, é crível que ouviremos ele fazendo aquelas velhas linhas de baixo incisivas e tremulantes mesmo que seu instrumento seja um pau de taquareira roído por uma capivara russa. E mesmo com o leque de influências variado, seu show deve ser bem mais cru e pesado do que o do amigão mencionado logo abaixo.

Jack Bruce & his Big Blues Band
Sexta-feira, 26 de outubro
Teatro do Bourbon Country, 21h
Ingressos:
R$ 100,00 (Mezanino e Banco Alto Mezanino)
R$ 150,00 (Plateia Alta)
R$ 180,00 (Plateia Baixa e Cadeira Extra Plateia Baixa)
R$ 220,00 (Camarote)
*Os demais estão esgotados
Venda:
* Bilheteria do Teatro do Bourbon Country (Shopping Bourbon Country, de segunda a sabado, das 14h às 22h; domingo, das 14h às 20h)
* Telentrega 3231.4142 (de segunda à sexta, das 09h às 12h e das 14h às 19h). Taxa de R$ 20,00 por entrega (somente em Porto Alegre).
* www.ingressorapido.com.br
* 4003.1212

Robert Plant

Ah, o Led Zeppelin... é inevitável não pensar nestes caras em qualquer princípio de discussão sobre quem é a melhor banda de todos os tempos - ou bobagens parecidas. Tão inevitável quanto dissociar os nomes dos seus integrantes da imagem da banda. Jimmy Page e John Paul Jones parecem lidar melhor com isso. Page é orgulhoso do próprio legado e sabe que criou um dos maiores monstros musicais deste planeta. Jones transmite a imagem de um homem inabalável, que tocaria seu baixo com maestria mesmo que o destino o colocasse para tocar no Negritude Júnior. Mas as coisas não são bem assim com Robert Plant. O mito. A garganta mais poderosa da música pesada (e música tem peso?) em todos os tempos. O cara que é uma lenda mas renega o descanso nos próprios louros para entregar ao público um show distante daquele formato que enlouqueceria 10 entre 10 amantes de música sobre este solo.

Robert Plant dá a impressão de ser um cara que quer provar a si mesmo que pode existir e ser relevante sem o Led Zeppelin. Afinal, as negativas quanto a uma reunião da banda sempre são atribuídas a ele. Na carreira solo, Plant já gravou com músicos orientais, cantoras country, teve bandas que utilizaram instrumentos tão distintos quanto o kologo e o rititi (!) e faz um show nada usual. Se é a fama do Zeppelin que carrega a maior parte do público para suas apresentações, a resposta do palco é completamente oposta. O mítico cantor de Black Dog e Kashmir dá continuidade à miscigenação já proposta pela sua antiga banda. Mas, no lugar da orientação rock'n'roll de outrora, o clima lembra algo como música celta, africana, world music ou demais rótulos que causam estranheza em boa parte daqueles que pagaram o ingresso.

Por birra ou ousadia, o fato é que Plant tem todos os elementos para fazer um grandioso show, mesmo sem uma vibração rock muito latente. A quem for assisti-lo, cabe entender o que o homem quer fazer e desfrutar da chance de reverenciar algo como uma encarnação rocker de Zeus. E entender que ele prefere tocar Rock and Roll com um violino monocórdico no lugar da guitarra Gibson de seu antigo bruxo (santo trocadilho inoportuno!).

Robert Plant
Segunda-feira, 29 de outubro
Ginásio Gigantinho, 21h30min
Ingressos:
Arquibancada - R$ 130,00
Pista – R$ 190,00
Cadeiras – R$ 230,00
*Pista Premium esgotada
Venda:
* My Ticket – Moinhos (Rua Padre Chagas, 327 - Loja 6
* My Ticket – Centro (Rua dos Andradas, 1.425 - loja 69)
* www.livepass.com.br


Slash

Tão indissolúvel quanto o elo que une Robert Plant ao Led Zeppelin é aquele que liga Slash ao Guns N' Roses. Mas o dono da segunda Les Paul mais destruidora da história do rock (ou seria a terceira? ou a quarta? com a palavra, Joe Perry e Zakk Wylde) tem se esquivado certeiramente da sombra do seu velho grupo. É claro que o demérito do seu antigo sócio tem considerável peso sobre isto. Afinal, enquanto o rapaz de corte capilar samambaiesco vara o mundo com turnês consistentes, ao lado de músicos qualificados e/ou medalhões do estilo, Axl Rose toma sucessivas decisões desastrosas com um GN'R que conserva apenas e tão somente laços nominais com a antiga banda - dos integrantes, das músicas e do próprio grupo.

Passados 15 anos de vida sem uma sombra de shortinho com as cores americanas e voz de gralha pisoteada, Slash se consolidou como guitarrista criativo e capaz de ser dono do próprio nariz que é. Se seus registros com o Slash's Snakepit, Velvet Revolver e com a recente banda solo não alcançaram a magnitude de Appetite for Destruction ou a repercussão estrondosa da saga Use Your Illusion, nenhum disco feito por ele fica abaixo da média ou carece de itens imprescindíveis na carreira do cidadão, como riffs vibrantes e solos blueseiros que exalam espontaneidade. Como fator extra, Slash aproveitou a volta do improdutivo Creed e tomou do Alter Bridge pra si o ótimo vocalista Myles Kennedy. Feito Plant, ele precisa de um mínimo de boa vontade dos fãs, que não podem ir ao show esperando um revival ipsis litteris do Guns N' Roses. Quem for ao show de Slash esperando ver um show de Slash certamente sairá satisfeito.

Slash
Sexta-feira, 9 de novembro
Pepsi On Stage, 21h
Ingressos: R$ 100 (Pista)
*Pista Vip e Mezanino esgotados
Venda:
* Lojas Chilli Beans (Shopping Praia de Belas, Shopping Total, Shopping Iguatemi, Rua da Praia Shopping, Moinhos Shopping, Barra Shopping Sul e Canoas Shopping)
* www.ticketbrasil.com.br/show/slash-rs