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quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Review - Chair Acústico

     Buenas rapazeada! Volto, mais uma vez, de muita cinza em que nado para lhes dar um breve relato de um dos melhores shows que eu fui nos últimos tempos e, assim, voltando com a tradição do Blog de trazer review de festas aos que não puderam ou quiseram ir. O evento rolou no ambiente do Brasa Castelhana, em Venâncio Aires, promovido pela mesma equipe que promovera o Dozeduro Acústico (Uma parceria entre o Cris Seibt, da própria Dozeduro, o César Prochnow, dono do Brasa Castelhana e a Rádio Vênus FM), cujo não pude atender por possuir compromissos. A noite do dia 14 estava perfeita para um show de rock e o ambiente do Brasa Castelhana é animal. Me surpreende que ninguém caiu na piscina depois de muitas Dozeduro Beer - AH SIM! Já ia me esquecendo que na festa foi oferecida novamente a Dozeduro Beer e, aproveitando, aviso que tem mais um lote por vir, pelo que sei.



     Para mim, quando uma banda consegue fazer um som bom, com menos eletricidade, ela tem muita bala na agulha meu caro. Acústico não é para qualquer um, não um bom acústico - e esta noite, estava. Me lembrei dos vários shows promovidos pela MTV no começo dos anos 1990, como Aerosmith, Nirvana, Pearl Jam e, principalmente, Alice In Chains. O repertório da banda não andou muito longe disso, também. Confesso que acabei me atrasado por ter um compromisso com um show antes de chegar ao local, mas, até onde me informaram, o show havia apenas começado.

Essa, infelizmente, eu perdi.
     O repertório circulou entre as clássicas grungeiras como Pearl Jam, Nirvana, Alice In Chains, porém, com o acréscimo de vários clássicos que ficaram muito bem em formato acústico como Keep On Rockin' In The Free World e também rolou um Foo Fighters, na onda dos B-sides acústicos. O show contou com participações especiais que ajudaram a dar um gás muito foda.

     O som estava muito bem instalado e ouvia-se a banda muito bem. Também, comentando novamente, como os caras tinham bala na agulha, o som estava demais - méritos ao Douglas, na guita, por saber explorar tanto o violão de 12 cordas quanto os seus pedais de efeito no violão, dando um sabor especial ao som. O Júlio, também, se demonstrou um vocal e tanto - que fora muito fácil de denotar, afinal, quanto barulho se pode fazer num acústico? Novamente, acústico é f*** por causa disso. E por último, não desmerecendo nenhum dos membros, o Baixo do Mathias estava pesado e a bateria do Arthur sempre no tempo, uma tremenda duma beleza de show.

     Foi um show perfeito para um sábado à noite, apesar do preço um tanto abusivo da cerveja. A galera que compareceu fez uma bagunça no meio do possível e quem perdeu, terá que esperar pelo próximo acústico. Sabe-se lá, quem será o próximo e fiquemos ligados para mais novidades. Demais! Estou na procura dos vídeos gravados na noite e assim que os achar, posto-lhes para que possam conferir mais de perto.

Abraços da galera da Chair.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Dia Mundial do Rock no Setor 3 Parque da Ocktober Fest


      Não é novidade para ninguém que dia 13/07 foi comemorado o Dia Mundial do Rock. Como forma de celebrar a data criada por Bob Geldof, várias casas e praças da região organizaram festas de devoção ao estilo que nós, rockers, tanto gostamos. Uma delas foi no famoso "setor 3", um espaço que foi fechado em frente ao parque da Oktober, com a ajuda do secretario de cultura, o "vassora", que deu essa mão pra gurizada da Justo Meio poder realizar o lançamento do seu disco "O Rock não morreu", acompanhados de algumas bandas aqui da cena. Mesmo com ameaça de chuva, o evento foi um sucesso, contando com um grande publico, mesclando os antigos e a nova geração do rock na cidade.

      A primeira banda a se apresentar, foi a Charlotte, que conta com o Jean na guitarra (Justo Meio) e com a Francine no baixo (Empty), Icaro (guitarra), Ander (bateria) e Jean Dias no vocal, que por sinal mandou muito bem todas as musicas. A Charlote faz uma mescla do rock nacional, apostando nos covers de Matanza, que levantou a galera, com Maldito Hippie Sujo e E Bom é Quando Faz Mal, além de Titãs com Polícia e Geração Coca Cola do Legião Urbana. Para encerrar o show tocaram Deer Dance do SOAD. Na minha opinião, mais uma banda que promete muito nessa nova safra de bandas de rock da cidade.
                                                         

      A segunda banda a tocar foi a Avalanche, mandando seu hard rock malandro, e com um set de musicas reduzidos, a banda formada por Top Gun(vocal), Kurt(Baixo), Wesley(guitarra) e Gnomo(bateria), mandou alguns covers já conhecidos da galera e algumas surpresas. Entre as conhecidas estava a "farofa" com riff matador, Look What the Cat do Poison, Piece of me do Skid Row e Ela roubou meu caminhão do Matanza, Modern Day do Kiss e Highway to hell do Ac/Dc não ficaram de fora do repertório. Mas a cereja do bolo, foi sem duvida a participação de Clebinho Rock N Roll, no hino Rock n roll all night, com direito a air guitar, correr para o publico e girar no chão igual Angus Young. Nada mais apropriado do que isso para fechar o set do dia mundial do rock.

      A terceira banda a se apresentar, foram os anfitriões da festa, banda Justo Meio, lançando seu disco O Rock não morreu. Tocando o disco na íntegra, iniciaram o set com a musica "A morte", eu destacaria as divertidas "Perna de grilo" e "Deus é o dinheiro" com uma atenção especial a otima canção "Made in Deus" provável hit do disco, além do rock que da nome ao disco e, claro, a já conhecida da galera "Cão da rua". O Power trio formado por Finha nos vocais e guitarra, Jean no baixo e Jardel na batera, estão de parabéns e mostraram que ainda tem muita lenha pra queimar.


      Em seguida tivemos a apresentação da banda Empty, posso dizer que esta é a banda revelação. Já chegaram mandando Shoot to Thrill do Ac/Dc, Rock N Roll do Led, o set ainda contou com Born to be Wild, Moneytalks e You Shook me All Nigh Long, pra esquentar a noite da rockerada. Mas, eis que surge ele, sim, Clebinho Rock N Roll, novamente assume os vocais, desta vez para mandar as tijoladas, War Pigs e Iron Man do Black Sabbath, um belo show.


      Para encerrar, tivemos a apresentação da banda Seqüella, divulgando as musicas do seu próximo trabalho, a banda abriu o set com "Essa noite vai chover", "sozinho", "Tarde da noite", e uma dos primórdios da banda, "Fabricado na cozinha", seguida por "Eu quero é ser politico", a banda Seqüella, encerrou o festival do dia mundial do rock com a sensação de missão comprida.


      E que venham mais festivais deste formato, com o público comparecendo cada vez mais e apoiando as bandas da nossa cena rocker!

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Nove horas de puro rock em Igrejinha!


      A semana do rock começou da melhor forma possível para os quase três mil rockeiros que prestigiaram o festival de aniversário do Bar Tio Remi, no último sábado. Oito bandas promoveram quase nove horas de música boa no Parque da Oktoberfest, em Igrejinha, que estava lotado! E não foi apenas pela qualidade musical que a festa se destacou. A organização, a segurança e o respeito com o público também são fatos que explicam como esse rock bar consegue se manter por oito anos ativo e crescendo.

      O clima de chuva e a desconhecida cidade de Igrejinha assustaram aqueles que vieram de longe, como foi o caso da excursão que saiu de Santa Cruz do Sul com 25 pessoas. Os ingressos, já comprados há meses, precisariam ser retirados na hora. Falta de organização comprometeria todo o festival neste caso. Porém, a chuva não veio, o acesso ao Parque da Oktoberfest foi fácil e a retirada dos ingressos não levou nem cinco minutos. Tudo certo para curtir a noite repleta de rock and roll. Porém, a Polar custando cinco pila a latinha doeu no bolso...

      A primeira banda a subir no palco não era uma das mais esperadas. Tocata y Fuga não tem ainda uma grande relevância no cenários musical do Estado. Mesmo assim, em uma noite com gigantes do rock gaúcho, eles conseguiram deixar sua marca. Apostaram em uma fórmula simples: os clássicos. Mandaram sons que iam de Led Zeppelin até Metallica. E, quando o público estava conquistado, investiram também em suas músicas próprias, que, com influência vinda dos anos 70, agradou.

      Na sequência, o show foi da Graforréia Xilarmônica. Pontualmente, os irreverentes músicos subiram ao palco e fizeram o seu melhor. Grande parte das músicas deles não são muito conhecidas, mas existe um grande respeito pelas composições e letras diferenciadas que eles trazem. E, claro, o grande clássico Amigo Punk, colocado sem destaque algum dentro do set list, fez pela primeira vez o ginásio ecoar. Naquele momento deu pra sentir a força que o público teria no festival. E isso se viu mais ainda nos shows que deram sequência ao da Graforréia.

      Representando um rock mais atual, a terceira banda da noite foi Vera Loca. Nesse momento, o ginásio do parque já estava praticamente lotado. O público cantava e participava do show, encantando até os músicos no palco. Para responder a boa recepção dos rockeiros, a banda investiu em músicas para animar. E, para isso, nada melhor que AC/DC. Mesmo assim, a famosa Borracho y Loco, a balada Palácio dos Enfeites e o novo single Graffiti mostraram a força das composições próprias desta que já é uma grande banda do rock gaúcho.

      Voltando para os anos 80, subiu ao palco a Tenente Cascavel, revivendo clássicos absolutos do rock nacional daquela década. A banda que une TNT e Cascavelletes fez um show repleto de sucessos, acompanhada pelo enorme público do começo ao fim. Identidade Zero, Lobos da Estepe, Sob um Céu de Blues e Cachorro Louco foram destaques. Nessa hora, passado da meia noite, a animação era altíssima mas o cansasso já aparecia também. A sequencia matadora de shows deu uma parada com RS115, uma banda desconhecida que tocou apenas composições próprias.

      Nesse momento, deu pra descansar e tomar um ar na parte externa do ginásio. Porém, quem também deu as caras com a chegada do domingo, foi a chuva. E, quando uma das atrações mais esperadas da noite subiu ao palco, estava todo mundo dentro do local aguardando. Cachorro Grande fez um baita show, investindo no seu instrumental de muita qualidade, na potência do vocal de Beto Bruno e nos seus grandes sucessos.


      Roda Gigante, Que Loucura e Dia Perfeito deram espaço para o guitarrista Marcelo Gross aparecer. O vocal se destacou em Hey Amigo e Lunático. E, a balada Sinceramente, foi o momento do público fazer um coral inesquecível para acompanhar a banda. Cachorro Grande fez um show a altura do nível que eles se encontram. Seus sucessos e sua performance ao vivo dão razão para quem os considera a maior banda do Rio Grande do Sul.

      Já se encaminhando para o fim, as paulistas da Nervosa vieram para surpreender. Três gurias tiveram a difícil responsabilidade de tocar entre dois gigantes — Cachorro Grande e Tequila Baby. Porém, o elemento surpresa jogou a favor delas. As metaleiras se destacaram pela beleza, no primeiro momento, e depois pela agressividade do seu som. Difícil imaginar mulheres com aquela aparência fazendo um thrash metal tão pesado. O vocal gritado e o som sujo agradou o público que respondeu com muita agitação e rodas punk.


      Para fechar — e neste caso, vale usar o clichê — com chave de ouro, Tequila Baby! A maior banda punk do Estado e uma das mais famosas do Brasil, veio para provar que o festival não daria chance para o cansasso do público. Nesse momento, a chuva era forte e o vento a trazia para dentro do ginásio. Molhava público e banda, mas nada que diminuísse a animação. Do começo ao fim, rockeiros cantavam junto com o rouco vocal de Duda Calvin, que respondia com clássica depois de clássica. Velhas Fotos, 51, Ralph, Negue e, encerrando, Sangue, Ouro e Pólvora, foram as que marcaram a passagem do Tequila pelo festival.

      O bar Tio Remi promoveu uma festa inesquecível para o público que lotou o local. Na volta para Santa Cruz, uma única certeza — ano que vem, no aniversário de nove anos, todos querem voltar!

terça-feira, 28 de maio de 2013

Um show de rock progressivo do Yes!


      A noite do último domingo, em Porto Alegre, foi para mostrar que o rock progressivo segue tendo força no mundo da música. Como disse o vocalista da banda que abriu o show do Yes no Teatro Araújo Viana: “Hoje é a prova de que tocar rock progressivo nos dias de hoje não é uma missão impossível”. E aí, a banda gaúcha Apocalypse, mandou uma versão do tema do filme Missão Impossível para ilustrar o fato. Mas a prova mesmo do que foi falado, estava no local lotado e o público de todas as idades ansioso para ver os músicos que marcaram os anos 70 pelas suas composições únicas.

Yes, 45 years tour, Araújo Viana em Porto Alegre
Platéia alta central, R$ 130,00, 26/05/2012

Jon Davison - Vocal
Steve Howe - Guitarra
Geoff Downes - Teclados
Chris Squire - Baixo
Alan White - Bateria


      O Yes, em turnê pelo Brasil comemorando 45 anos de estrada, teve seu auge há 30 anos atrás. E, sebendo disso, veio a Porto Alegre relembrando aquela época. Para um reformado Araújo Viana lotado, o quinteto inglês tocou três álbuns clássicos da década de 1970. Relembrar discos consagrados do passado tem sido comum entre bandas antigas, mas poucas tem tanto a mostrar quanto estes caras. O Yes, que teve uma fase pop de maior sucesso nos anos 80, presenteou os verdadeiros fãs da banda com um set únicamente com o melhor do progressivo.

      Na sequência, sem parar e mantendo a ordem original das músicas, a banda tocou os álbuns Close to the Edge, de 1972, Going for the One, de 1977, e The Yes Album, de 1971, para o delírio daqueles que podem ter esperado a vida inteira por este momento. A primeira música do show foi a que dá nome ao disco de 72, Close to the Edge. Como de praxe do rock progressivo, o som tem quase 20 minutos de duração. Mas, não precisou de nem metade disso para a maior preocupação da maioria dos presentes ir embora. O vocalista do Yes não é mais o lendário Jon Anderson. O nome é até parecido, mas a troca de vocais em uma banda clássica é sempre complicado. Porém, Jon Davison - um guri, se comparar com os outros - se mostrou uma répica do original lá nos primeiros anos de sucesso.


      No decorrer do show, um desfile de clássicos. A segunda música já fez lágrimas escorrerem, de jovens a pessoas de mais idade. A balada And You And I foi linda! Os membros originais, já com suas rugas e cabelos brancos, mostravam animação e se divertiam no palco. Chris Squire, líder da banda no baixo, e Steve Howe, na guitarra, eram os grandes destaques da noite.

      Awaken, com 15 minutos, do álbum Going for the One, foi outro grande momento, quando Squire usou um instrumento triplo que surpreendeu a todos. Já do The Yes Album, vieram as mais famosas do grupo. O início, com Yours Is No Disgrace, já fez o público levantar. Porém, a segunda música se trata de uma instumental apenas com Howe e um violão. O músico, conhecido por não ser muito simpático, ficou sozinho no meio do palco e fez todo o Araújo Viana aplaudir de pé sua música chamada The Clap. Starship Trooper, I've Seen All Good People e Perpetual Change foram outros destaques desta parte final do show.


      O público, ao final, se levantou para ovacionar os músicos após o show histórico na capital. Para a surpresa eles, sem nem ao menos sair do palco, já fizeram o bis. Um dos maiores hits do grupo, Roundabout do álbum Fragile de 1971, encerrou com uma versão extendida que teve mais de 10 minutos. Para esta, o público não se aguentou e foi ficar de pé na frente do palco para se despedir destas lendas do progressivo.

      Ao final, muitos agradecimentos da banda para aqueles que prestigiaram quase três horas de espetáculo. O Yes sabe o que seus fãs querem ouvir. E foi isso que eles fizeram, um show para o público, que respondeu com um teatro lotado e muitos aplausos. Ainda é possível fazer rock progressivo nos dias de hoje. A prova está aí!

Avalanche & Chair no Porão


      No ultimo sabado, dia 18, ocorreu em Venâncio Aires uma baita festa no Porão do Rock. O nome é bem auto-explicativo: é o porão da casa do Jonas, com um pequeno palco em um dos cantos. Nada muito luxuoso, mas puramente rock and roll. A entrada, a 5 pila, e a cerveja, a 4 (podendo se comprar 3 por 10), eram bem convidativos. O local, como já dito, é embaixo de uma casa, então não é possível fazer festas seguidamente, nem ir até muito tarde com as mesmas. Mesmo assim, se mostrou uma ótima opção para o bom e velho rock and roll mostrar as caras.

      Esta festa do ultimo sábado, em particular, foi para comemorar o aniversario da senhorita Leíne, conhecida por estar fotografando os eventos da região. Se trata de uma grande amiga da Avalanche e, logo que nos convidou para tocar na sua festa, demos um jeito de ir.

      O público era bom, encheu o local, chegando até a deixar gente de fora. Também se tratava de uma gurizada muito animada. Já de antemão, agradeço a todos que deixaram o show da Avalanche com muita empolgação.


      Falando em show, foi animal! O público cantando grande parte das musicas junto a banda, pulando e batendo cabeça - uma verdadeira festa underground, onde as pessoas vão para curtir as bandas e beber sua cerveja.


      O set da Avalanche foi o clássico: Hard + Matanzas. Teve Kiss (Lick It Up fez o público cantar o refrão junto), Poison, Skid Row, Guns, Twisted Sister, Ted Nugget e AC/DC. Em algumas musicas tivemos a brilhante participação de um baita guitarrista, o Sr. Machadada (atual guitarrista da Dozeduro), que muito já tocou pela região com a Ace Jester. Ele participou de Fallen Angel, do Poison, e We’re Not Gonna Take It, do Twisted Sister, além de um Matanza.

      Segundo show foi da Chair, que estava tocando pela primeira vez. Eles mostraram um entrosamento incrível, com um set calcado no melhor do grunge, desde os mais consagrados como Alice in Chains, Pearl Jam e Silver Chair, até o mais obscuro como Chris Isaak.



      A banda Chair é composta por Julio Scheeren, que também é baterista da Tom Turbina. Esse cara é um musico de mão cheio, além de tocar bateria muito bem, sua potência vocal é incrível, abusando dos tons agudos.
      O baixo e a guitarra ficaram a cargo da dupla hard rock da Ace Jaster. Douglas e Matias estão de volta quebrando tudo com essa baita banda. Já a batera, foi do Arthur Lenz, irmão do Thomas da banda Maquinados. O garoto dominou o set inteiro, não cometendo nenhum deslize no seu instrumento. 

Definitivamente uma grande noite, com cerveja barata, amigos e muito rock n roll. Que venham outras destas festas de verdadeiro rock!

Colaboração: Marcos "Gnomo" Dessbesell

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Quinta-feira que a banda Tampa esquentou!

Por: Marcela Schild

      A noite da última quinta-feira foi bastante agitada para a banda Tampa. A correria começou muito alegre com um show no Teatro Mauá onde eles, juntamente com a banda Dandis de Santa Maria, abriram o show do Lucas Silveira, vocalista da Fresno. Todos os integrantes estavam muito empolgados e subiram ao palco exalando a evidente felicidade. O show foi composto por músicas autorais e alguns covers como do The Killers. Infelizmente, na segunda música, a corda do violão do Pablo arrebentou, mas ele driblou bem o imprevisto e revezou o violão com o Érico. Ambos também revezam os vocais do grupo. A banda conseguiu tirar sorrisos do público, ora pelas músicas, ora pelas piadinhas do grande Pablo Mello, que mostrou-se, além de grande músico, um cara muito foda. 

      A galera foi ao auge quando tocaram Ana Paula, música que a banda lançou clipe recentemente e teve grande audiência. Muitas vozes juntaram-se cantando esse refrão. 

O show acabou com palmas e satisfação 
      Em seguida veio o show da banda Dandis. Os caras mandaram muito bem e vale a pena conferir o som deles. Logo após Lucas Silveira subiu ao palco tocando músicas da Fresno, Beeshop e visconde.


      A noite de shows no Teatro Mauá havia se encerrado, mas a noite da Tampa estava no começo.  A banda também tocou na quinta de outono da Legend.


      Os integrantes da banda, Alê e o Diego, estavam aflitos com o jogo do grêmio e conseguiram assistir parte do jogo antes do segundo show da noite - e, por sinal, não deram sorte.

      A Legend estava cheia e contou também com a presença do grande skatista Biano Bianchin, que curtiu muito a banda. Esse show foi mais amplo, rolou Pearl Jam, Jet, Radiohead, mais Killers e Strokes, levando todos ao êxtase. Conforme a galera pedia, Pablo e Érico se viravam para tocar alguns improvisos, por exemplo: U2, Michael Jackson, Raul Seixas...  E, é claro, as próprias não foram deixadas de lado. Rolou Vício, 6 bilhões de Vozes, Nada Não, Ana Paula...  Foi uma noite incrível para a banda Tampa e para todos que estavam no Mauá, na Legend ou em ambos.


      E, só posso concluir esse review afirmando que a Tampa esquentou a noite mais fria que Santa Cruz do Sul teve no ano.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Review Alabama Rock Festival, dia 20/04, no Strike

Que dor no pescoço....

WAKE UP, rock de Santa Cruz!
FESTEJA SANTA CRUZ, OS FESTIVAIS DO KURT ESTÃO DE VOLTA!

      Acho que esse é o sentimento geral. O que todos que saíram do Strike no último sábado, dia 20, estavam pensando. Uma festa de rock como há muito tempo essa cidade não via. Fazem anos? Nem lembro da última... Mas, toda a espera foi compensada com uma festa de altíssimo nível. Três bandas vindas da capital gaúcha. Três covers pesados. Dio, Pantera e Rage Against the Machine. Nem sabia que podia quebrar tanto assim de uma vez só. Mas, pode! E esse que é bom dos festivais... pode!

      Pode fazer roda punk, pode ter cerveja barata, pode vir gente de todas as idades, pode se jogar do palco e pode, sim, curtir ao máximo o rock and roll do nosso jeito! Obrigado, Kurt, por trazer esse sentimento de volta a Santa Cruz. Sentimos muita falta!

      E não era só lá dentro do Strike que se via essa diferença. Não! Nem lembrava como era isso... A praça lotada de rockeiros. Uma gurizada que eu nunca tinha visto antes. Uma nova geração surgindo. E lá na frente do Strike? Todos cabeludos de preto sentados pelo chão, tomando o seu trago e se aquecendo para curtir a festa. Esse é o clima certo! Não é errado beber uma cachaça antes de ir ver os shows. Errado é pagar mais caro por uma garrafa de cerveja do que por um litro de Velho Barreiro!


      Mas, claro... Situações diferentes. Não é disso que venho falar agora. O destaque é total para termos novamente os festivais. E vamos ver como foi esse arrasador começo. Primeira banda, com o público ainda meio preso. Nem todo mundo conhece a carreira do Dio. Todos o respeitam, mas seus trabalhos solos não são muito conhecidos. E eu ainda nem estava acreditando que uma garrafa de Heineken podia custar só seis reais. Enchi os bolsos de fichas e fui correndo quando ouvi os primeiros acordes conhecidos de uma canção do Black Sabbath.

      Esses foram os grandes momentos do show. Sons do Sabbath e do Rainbow, bandas nas quais Dio eventualmente cantou. Eu fiquei, desde que anunciaram os covers, pensando quem faria a voz do Deus do metal. Quem seria o maluco a cantar como ele? A banda Prophajnt veio de Porto Alegre com uma vocalista. Sim, uma mulher! E ela cantou demais! A banda então, do caralho! O público curtiu bastante e foi engraçado ver a correria para entrar no local do show a hora que Heaven and Hell foi tocada. A banda encerrou o show com uma música própria e chamou o cover de Pantera ao palco.

      Um descanso e uma má notícia. Acabou a Heineken. Logo em seguida, acabou a Brahma. Pelo visto o Strike não estava preparado para receber tantos bêbados assim. Sobrou só a Skol, que quase acabou. Eu vi duas caixas sendo trazidas no desespero para não faltar trago. Tá, voltando a música... Pantera começou de uma forma que ninguém esperava – com três grandes clássicas. Cowboys From Hell, Domination e Walk fizeram o público até então meio parado, acordar e começar a bater cabeça (que dor no pescoço), pular e fazer roda punk.

TOCA PANTERAAAAA!!!
      A banda Cacife - que foi responsável por reviver estes grandes clássicos - era foda! O vocalista tinha uma baita presença e interagia bastante com o público. Um fato bizarro foi uma moça que subiu no palco para segurar um pedaço da bateria (vejam na foto). Além deste início, os caras também meteram vários outros sons fodas. Cemetery Gates e 5 Minutes Alone foram alguns dos grandes momentos do show.

      Mas, não tinha essa história de tá cansado. O auge da festa ainda estava por vir. Rage Against The Machine chegou com tudo. E, cara... que dor no meu pescoço! Foi roda punk, bateção de cabeça e muita loucura em todas as músicas. Não vou lembrar todos os sons, a ordem delas e até posso pensar que uma tocou e não tocou. Tava curtindo o show e enlouquecido lá na frente do palco. Mas, tenho na lembrança momentos incríveis ao som de Sleep Now in the Fire (que riff!), Testify, Bullet in the Head, Bulls on Parade e Wake Up. Nesse show teve de tudo. Eu, por muito tempo fiquei do lado das caixas de som, e até agora meu ouvido tá zunindo. Mas, bah... valeu a pena! Que show!

Só a guitarra tinha que tá um pouco mais alta
      Claro, destaque total para Killing in the Name. Todos pulando e cantando juntos. A banda tinha a energia do Rage. Tinha o jeito de tocar e cantar dos caras. Quando saí pra dar uma mijada, ouvia e notava que não deixava realmente nada a desejar. Foi do caralho!

      Sim, os festivais estão de volta. Dia 03 tem Blackout na Sunset. Já podem comprar ingressos na Alabama. Comemore rockeiro de Santa Cruz. Quem vive o rock a bastante tempo, sabe a falta que isso fez. Tem uma nova geração vindo aí. Tem bandas novas e boas surgindo. Isso é bom pra todos! Menos pro meu pescoço...

Que dor no pescoço!

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Review Dance of Days, na Sunset, 13/04

Por Luiz Henrique Pohlmann

Dance, Dance, Dance

      A noite do último sábado se tornou histórica para quem foi até Sunset prestigiar um bom rock. No palco as bandas santa cruzenses Toma! e Diatribe. Também tocou a Bidu Silas, de Santa Maria, e a grande apresentação da da festa: Dance Of Days.

      A primeira banda a subir ao palco foi a Toma!, que depois de algum tempo longe dos palcos, está voltando. E voltando com tudo! Com um repertório de canções próprias, a banda fez o dever de casa, mandando ver! 

      A segunda banda da noite foi a Bidu Silas. Galera gente boa, que fez um hardcore matador, com atitude e sinceridade, preparando o terreno para a Diatribe. A banda do meu brother Zaca destilou seu hardcore nervoso, fazendo um show afudê e levando a galera a loucura.

      E finalmente os monstros do Dance of Days, que mostraram bem o porquê são referência não só no punk e no hardcore, mas no rock independente nacional. Tocando um pouco de cada fase, desde músicas do "Disco Preto" até coisas mais antigas, do primórdio da banda. Simplesmente uma aula de rock e humildade.

      A festa também teve banca de produtos do Dance of Days e a galera do Rango Vegan, com seus hamburguers de lentilha. Eu acabei nem conseguindo experimentar (porque levei um chute na cara e rasguei minha boca hahaha). Resumindo: uma baita festa! Uma grande celebração ao que temos de melhor: o rock!!! Com uma galera parceria, um ótimo evento que só demonstra que é possível, sim, realizar eventos deste tamanho aqui na cena underground. Parabéns aos idealizadores e a Sunset por apoiar a cena rock aqui em Santa Cruz.





sexta-feira, 12 de abril de 2013

Do the Revolution! - Review Revolution Rock, 05/04, na Sunset

Por Maicon C.R.


      Seria redundante afirmar que não é fácil organizar e fazer acontecer um grande evento de Rock na cidade. Admitamos, não existe um público cativo pra isso e muitas vezes, noites de festa simultânea entre Sunset e Legend acabam não tendo um grande numero de pessoas em ambas, com a diferença de que a Legend tem clientes fiéis que batem cartão por lá. O Rock na cidade passa por momentos delicados, não são muitas bandas que tem espaço pra mostrar seu trabalho na Legend, e a Sunset após um ano com festas de rock todas as sextas feiras e alguns sábados, diminuiu a cota de dias direcionados ao estilo. Culpa do Cláudio? De forma alguma. Quantas bandas já tocaram lá para um público formado pela outra banda e suas namoradas! Essa falta de público foi o catalisador para que neste ano, após o Carnaval, as noites de Rock no pub ficassem mais escassas. Porém o que poderia ser um ponto negativo para o Rock feito na cidade parece ter se tornado o grande acerto! Pois o público tende a ficar mais focado e comparecer com mais frequência. E é de extrema importância essa presença, pois a Sunset é a única casa da cidade aberta ao diálogo com as bandas, onde se você tiver um projeto sólido de festa, as portas estarão abertas, com um único requisito: façam sua parte, divulguem e tragam público! Uma troca justa, onde todos saem ganhando: bandas, casa e plateia. 

      A divulgação do Revolution Rock e a venda de antecipados a um preço bem acessível começou com a antecedência de cerca de um mês, fator que foi importante para garantir que, pelo menos teríamos um público digno assistindo as bandas. Com três bandas fazendo a frente e, com o apoio do Sr. Giovane Kurt e da Alabama Rockstore, a venda dos ingressos fluiu de forma boa, apesar das 100 unidades terem esgotado apenas na tarde de sexta, horas antes do evento. A apreensão tornou-se euforia e com ela a certeza de que teríamos uma noite memorável.

      As apresentações estavam programadas pra começarem por volta da 00h30min, mas um dos piores costumes do público continua o mesmo: beber na frente até a primeira banda começar a tocar! Um grande dilema pra todos, pois se o público não entra a banda atrasa o show, o que em algumas circunstâncias pode atrapalhar a apresentação de quem fica por último. Felizmente apesar dos contratempos tivemos casa cheia até o fim da noite.


      A Tamarindo subiu ao palco por volta da 1h da madruga e como de praxe apresentaram um set mesclando suas músicas com alguns covers. A banda dispensa apresentação, Bada, Diego e Silva são figuras carimbadas da cidade e a Tamarindo, apesar de ser nova, carrega o peso dos anos de estrada do pessoal. Um show consistente com a proposta sonora dos caras, trazer um pouco do Grunge de Seattle a quem estiver assistindo. Destaque para “Eu Sempre Gostei Mais do Lado B” e “Sônia”, músicas autorais que são impecáveis e me fazem aguardar ansioso um registro em estúdio. O Show contou ainda com a participação do Lucas Gigante, da Restos de Ontem, numa reencarnação da Jeremy, tocando “Better Man” do Pearl Jam.

      Ao fim da apresentação o público já era grande e quase 200 pessoas acompanharam os primeiros acordes da Restos de Ontem. A banda estava estreando formação nova, com a entrada do Luciano, que também toca na Bulls de Vera Cruz, na 2ª guitarra e do Rafinha, da Boicote, na bateria. O set da Restos foi bastante diferente do que eles vinham apresentando, muito pelas adições de estilos que os novos integrantes trouxeram. O espaço para musicas próprias desta vez estava menor, devido ao tempo que a banda ficou parada com a saída do Malária (ex-baterista), mas foi um show pra levantar a galera, que acompanhou de perto e cantou junto os clássicos executados. Destaque para “Rugas”, “Seven Nation Army”, “Take me Out” e “Purple Haze”.


      Já passavam das 3h da manhã quando a New Plague subiu ao palco e o público na festa ainda era acima da média. Esta é outra banda nova na cidade com integrantes que já rodaram o estado fazendo shows. Estrearam nos palcos no fim do ano passado, na festa de fim de ano da Sunset, e tocam New Metal com excelência. Os caras investem pesado nas músicas próprias, destaque para “Infekted”, que está com clipe em pós-produção e deve estrear na rede nos próximos dias. Com uma presença de palco muito boa, o público espontaneamente é atraído para a vibe da banda, o que torna a apresentação ainda melhor pra quem assiste.


      Por fim, tenho que enaltecer a grande festa e agradecer a todo apoio que o Cláudio Mohr e a Sunset Pub oferecem para as bandas locais, também à Tamarindo e New Plague, que fizeram sua parte divulgando e ajudando na venda de ingressos, aos meus companheiros de Restos de Ontem e principalmente a todo o público presente, pois vocês mantiveram vivas as esperanças de dias melhores para o Rock local. Muito Obrigado e até o próximo Revolution Rock!

VÍDEOS DA FESTA


TAMARINDO

RESTOS DE ONTEM:

NEW PLAGUE

quarta-feira, 27 de março de 2013

Classy Classics III - The Dark Side Of The Moon

     Já venho há algum tempo querendo postar um review sobre essa maravilha da música antiga, e, aproveitando já o seu aniversário que foi no domingo, hoje venho lhes escrever sobre meu breve entendimento e sentimento do álbum The Dark Side Of The Moon. Um dos meus álbuns favoritos, de uma das minhas bandas favoritas, e, meu álbum de estúdio predileto da mesma. Como todo bom álbum de rock n' roll progressivo analisado, preparem-se para ler milhares de vezes sobre críticas de sociedade e sentimento.


     O que muitos não sabem é que o Pink Floyd nunca foi muito fã, ao contrário das bandas britânicas da época, de aparecer na capa dos seus discos. Lendas dizem que, a capa desse disco, em particular, fora escolhida em 3 minutos - simplicidade e beleza. O nome do álbum era para ser Eclipse por motivos comerciais - A banda Machine Head havia lançado um álbum chamado The Dark Side Of The Moon há pouco tempo, mas, como o álbum da Machine Head foi um desastre comercial, a banda voltou com o título.

     A capa incluía o prisma, e por dentro havia fotos de pirâmides, porque o criador da capa diz ter tudo a ver com o tema recorrente do álbum, que é enlouquecer. As fotos das pirâmides foram tiradas em infravermelho para dar um efeito lunático e psicodélico. Diz ele que as pirâmides são "fantásticas estruturas designadas para elevar os faraós e ajudar a transportar bens da terra para o paraíso - quão louco é isso?". Também, as pirâmides foram escolhidas por causa de seu formato semelhante ao do prisma - quem diria.


     O álbum começa com Speak To Me. A música é totalmente instrumental com experimentos feitos com as outras faixas do álbum submetidas às novas tecnologias da época. Como é uma seção muito curta, é normalmente somada à segunda faixa, que é Breathe, nos rádios e na edição de 30 anos, lançada em 2002. Breathe é um prelúdio do interlude de Time. A letra de Breathe lhe explica tudo que o álbum irá lhe propor - é uma crítica à sociedade capitalista da época que era forçada a 'Cavar buracos e esquecer do sol; E quando estiver pronto, não descanse, é hora de cavar outro'. O feeling aéreo da música lhe inspira a pensar que a vida é apenas um estágio dormente onde apenas sobrevivemos e 'Corremos em direção à uma cova prematura'. Essa música lhe instiga a pensar se a vida não é nada mais que o que vemos e sentimos, o quão alto voamos e o quão dura é a queda.

     Após ouvimos On The Run. Os sintetizadores nessa música lhe fazem pensar que o tempo está em constante aceleração e que não temos controle de nossas mentes. É apenas instrumental, mas o silêncio e os ruídos dizem mais que mil palavras, onde o batimento não acelera mas os pensamentos sim; e quando podemos ouvir uma quebra nos ruídos com vozes e urros podemos pensar: para onde diabos estão me levando. Tudo termina com uma risada macabra e o 'tic toc' dos relógios. Tempo.




     Time, uma das trademarks do álbum. Essa faixa é uma reflexão sobre o tempo - o tempo não para. Esta eu quero que todos sintam com as palavras do autor, numa livre tradução:

"Ticking away the moments 

That make up a dull day

[...]

Waiting for someone or something 
To show you the way
Tired of lying in the sunshine 
Staying home to watch the rain 
You are young and life is long 
And there is time to kill today 

And then the one day you find 
Ten years have got behind you 
No one told you when to run"

"Esperando o tique-taque passar dos momentos
Que fazem um dia tedioso
[...]
Esperando por alguém ou alguma coisa

Para lhe mostrar o caminho


Cansado de deitar no sol
Ficando em casa para olhar a chuva

Você é Jovem e a vida é longa

E tem tempo para matar hoje


E então um dia você descobre
Dez anos se passaram para trás de você

Ninguém lhe disse quando correr"


     E então começa o solo, que trabalha como um período de transição dessa fase da vida, para uma próxima, quando você corre para alcançar o sol mas ele está diminuindo. Quando todos os dias estão ficando mais curtos e você nunca encontra o tempo. Os planos não passam de meras anotações mal feitas e todos ficam parados em quieto desespero. E é aqui que a Breathe volta, como um lembrete de como a vida é: curta, exaustiva e enjaulada. "Thought i'd have something more to say"(Pensei que teria algo mais para dizer) é a frase que ouvimos antes de entrar no interlude, onde ouvimos a mesma melodia aérea e uma sensação de descanso, quando chegamos em casa novamente e nos encontramos no lugar onde apenas estamos quando podemos; quando estamos velhos, acabados e frios, voltamos ao lugar onde podemos relaxar no calor até ouvir os sinos chamando os fiéis pelos joelhos a se juntarem num feitiço falado em palavras suaves.

    The Great Gig in the Sky: não há muito o que dizer, apenas de que é a expressão de agonia mais linda e penetrante do universo. O viajante chega à gig(encontro entre músicos para relaxar, tocar um som sem compromisso e aproveitar o momento), à grande gig no céu. Tudo começa com os gritos de agonia e termina em harmonias de relaxamento quando o ator finalmente chega ao fim dos tempos e para. (Ao contrário do que todos vão pensar, a vocalista que gravou essa linda melodia vocal é mais branca que neve - sem racismo, apenas acho que negras têm uma característica vocal marcante e impressionante, e, até ouvir essa musica, achei que era irreproduzível).

     Agora, um novo disco, um novo lado. Money fala sobre a vida de ricaço, desde os primórdios até os fins, e as conseqüências e implicâncias que isso tem para a sociedade. Pegue aquele dinheiro com ambas as mãos e faça uma reserva; Novo carro e caviar [...] acho que vou me comprar um time de Futebol; Mantenha suas mãos longe da minha pilha; Viajando com um kit de primeira classe; Acho que necessito de um jato Lear. (Uma tradução livre, feita por mim, das linhas que seguem até o solo). Então, bem sucedido, o ser humano assume um caráter diferente: Dinheiro é um crime, Divida-o justamente mas não tire um pedaço da minha torta; Dinheiro é a raiz de todo mal hoje; Mas se você pedir por um aumento não é nenhuma surpresa que não lhe darão nenhum. Tudo isso seguido de um diálogo entre os ricaços sobre os maus tratos vistos como legítimos no ambiente. É para se sentir como um trouxa, e, ao mesmo tempo, podemos observar que todos caem no círculo da mesma maneira e acabam do mesmo jeito - No começo o personagem era apenas um pobretão economizando e terminou como um ricaço esnobe e ditador.

     Us And Them, por outro lado, já encara as informações com outro olhar. Nós e eles, e no final das coisas, somos todos homens ordinários. Ninguém nos conhece, ninguém nos entende, não entendemos a nós mesmos. O clima aéreo, assim como em Breathe, transmite simplicidade e calma. No refrão há um aumento nos backing vocals como se todos cantassem a mesma canção de desespero, ou como se tivéssemos tantos EU dentro de nós que nem mesmo nós nos entendemos. O que temos, o que não temos, o que falamos, o que deixamos de falar, o que fazemos e não fazemos - a vida se resume em escolhas, e, as vezes, elas nos desviam de nós mesmos.

     E então mais um instrumental: desta vez, demonstrando Luxúria e instabilidade. A música vai progredindo de um clima calmo ao fundo, com notas mais amenas e timbres mais macios, progressivamente, até notas pesadas e com efeitos lunáticos para transmitir uma sensação de crescente desilusão, para, então, entrarmos em estado de Brain Damage.

"The lunatic is on the grass
The lunatic is on the grass
Remembering games, and daisy chains and laughs

The lunatic is in the hall
The lunatics are in my hall
The paper holds their folded faces to the floor
And every day the paper boy brings more

[...]

And if your head explodes with dark forebodings too
I'll see you on the dark side of the moon"

     O lunático está na grama relembrando jogos, e cirandas e risadas; O lunático está no corredor, os lunáticos estão no meu corredor - o jornal segura suas faces dobradas em direção ao chão e, todo dia, o jornaleiro traz mais. E se a sua cabeça explode com pressentimentos negros também, eu lhe verei no lado escuro da lua. É por aqui que a idéia do álbum fica mais clara e mais cara - a loucura começa a tomar conta da rotina do ator. "O lunático está na minha cabeça - você levanta a lâmina e faz a mudança, me re-arruma até eu ficar são", o lunático tomou conta da mente do personagem que, aparentemente, é apenas uma pessoa comum. Eis a crítica principal da música - estamos todos vivendo uma realidade que enlouquece. Dentro de nossas jaulas que nós mesmos construímos em busca dos nossos anseios e desejos. "Você chaveia a porta e joga a chave fora, Há alguém na minha cabeça, mas não sou eu".

     E tudo termina com Eclipse, quando tudo que você faz, não faz, que você toca, que você escolhe, você rouba, você nega, você cria, luta, destrói, come, usa e desusa, tudo abaixo do sol está em sintonia, mas o sol está em eclipse com a lua. O mundo está em Eclipse.

I'll see you on the dark side of the moon

Abraços galera. Rock n' roll.
     

quarta-feira, 13 de março de 2013

To be Thick as a Brick - Review Jethro Tull, em Porto Alegre, 12/03/12


Ian Anderson's Jethro Tull
Porto Alegre - Araújo Viana
12/03/2012
Tour Thick as a Brick

Banda
Ian Anderson (vocais, flauta transversal e violão)
Florian Opahle (guitarra)
Scott Hammond (bateria)
David Goodier (baixo)
John O'Hara (teclados)
Ryan O'Donnell (vocal)

Ian estava um pouco acima do peso. Foi mal, gurias.
      Daquela banda que, em 1972, compos o álbum Thick as a Brick, hoje em dia apenas Ian Anderson segue trabalhando como Jethro Tull. Pouco tempo atrás eu achava isso ruim. Após ficar sabendo que essa nova formação iria fazer uma turnê tocando na íntegra o meu disco preferido da longa carreira destes britânicos, agradeci pela força de vontade do frontman seguir trabalhando e ousando pisar em lugares antes perigosos. Sim, tocar o Thick as a Brick não é negócio fácil. Entendam: Se trata de um álbum com apenas uma música. São 43 minutos e 54 segundos de puro rock progressivo. Isso, em 1972, foi uma baita inovação. Naquela época, toca-lo ao vivo era negócio de outro mundo para o Jethro Tull. Nunca a executaram completa. Só versões reduzidas de "apenas" 20 minutos.

      E não é que, em 2012, o Thick as a Brick volta a ser notícia. Ian Anderson resolveu continuar ele, lançando o TAAB II. Explico - o álbum de 72 contava a história de um garoto que criou um mundo absurdo em sua volta, levando ele a loucura. 40 anos depois, Ian quis contar como estava agora o Gerald Bostock velho. Portanto, o show ontem contou sua infância e sua velhice. Dois álbuns progressivos na íntegra. Desde que essa notícia saiu, tinha a certeza de que precisaria assistir isso.

      Em um certo momento da minha vida comecei a admirar muito o rock progressivo. Logo parti para os extremos. Encontrei em discos do Yes, do King Crimson e no Thick as a Brick. Nunca imaginei que teria a chance de assisti-lo, e, na noite da última segunda, ainda não era certo que estaria presente neste momento histórico. Porém, entre 23h30 e 00h, tudo mudou. Em minutos de muita adrenalina, consegui carona e ingresso (os últimos!) para estar presente no Araújo Viana na terça-feira. E, lá fui eu.

      O local é incrível. O teatro foi totalmente reformado e nem parece Porto Alegre. Algo de nível europeu. Mesmo na última cadeira da platéia alta, a visão do palco é perfeita. Eu, comprei platéia baixa lateral. Logo após me sentar, faltando uns 20 minutos para as nove, hora prevista para começar o Tull, a abertura subiu ao palco. Sinceramente, não tenho muito o que falar sobre ele. Um cara e seu violão. Tocou umas cinco músicas. Totalmente sem graça. Foi a legítima escolha apenas para não pagar a multa que existe para shows internacionais que não tenham uma abertura gaúcha.

Banda/lixeiros limpando o palco
     O homem foi retirado do palco por um ser estranho. Chamou atençao um homem de sobretudo e boina, varrendo o chão. Logo outros destes apareceram. Todos vestidos iguais. Arrumavam os equipamentos e organizavam o palco. Perto das nove horas, se reuniram em um grupinho no fundo e, batendo os pés, meio que fizeram um grito de guerra. Total clima de Jethro Tull, sem noção alguma.

      Deixaram o palco vaziu e as luzes se apagaram. Um vídeo sem muito sentido, de um homem indo a um psicologo, passou. Aí uma crítica - na platéia lateral era difícil ver o telão inteiro, havia um pano na frente. Porém, isso logo foi esquecido. O vídeo acabou e, sem cerimônia alguma, Ian Anderson estava no palco com seu violão começando Thick as a Brick. Mais do que isso, aqueles homens de sobretudo e boina eram sua banda! E, com o decorrer da música, as roupas de trabalho foram tiradas e lá estava o novo Jethro Tull.

Iluminado, Ian dá início ao show com os lixeiros
      Ian cantou a primeira parte da canção. O homem que antes varreu a abertura do palco, se mostrou ser o outro vocalista. Sua vassoura foi quebrada e se transformou em uma imitação de flauta transversal. Flauta que é marca registrada do Ian Anderson e... falhou. Sim, esse foi o grande problema do show. No momento em que entraria o primeiro solo do instrumento de sopro, ele simplesmente não funcionou. Fato extremamente lamentável. Após alguns segundos de tensão, o som folk soou no Araújo Viana e, de cara, um improviso. O solo foi feito completo, deixano a parte da canção maior do que o normal.



      Difiícil descrever toda a música. São 44 minutos. Mas, a atuação foi espetacular! Ian fez solos incríveis de flauta. Enquanto solava, Ryan - o cara da vassoura - assumia os vocais, que lembravam bastante a voz do frontman nos anos 70. Os dois dançavam, corriam e curtiam o momento. Teve também as esquisitísses. Anderson recebeu, no meio da música, uma ligação do celular. Ele pediu para a mulher ao telefone ligar para ele no Skype em dois minutos. Passado este tempo, apareceu um ser estranho no telão, que ficou curtindo a música.

      Os solos de teclado, para mim, foram o grande destaque. O cara era muito bom. O baixista, que tinha um jeito de gnomo, curtia o som e mantia tudo muito bem. O guitarrista, também baixinho, era ótimo. Já o batera, matou a pau no solo que começa a segunda parte da música. Foi um momento lindo. O público, que lotou o teatro, aplaudia a cada parte que passava. A música, mesmo sendo longa, não fica em momento algum chata. E, na minha opinião, o grande momento são os 10 minutos finais. Solos incríveis de todos instrumentos e a conclusão: "So you ride yourselves over the fields. And you make all your animal deals. And your wise men don't know how it feels... To be Thick as a Brick".

     Durante toda essa etapa final, o silêncio era total no teatro. Encerrando a música, o público todo ficou de pé e aplaudiu com muita vontade a banda. Foi histórico! Era um sonho realizado. Indescritível!



      Ian anunciou que um curto intervalo iria se feito e logo estariam devolta para Thick as a Brick II. E aí, como não poderia deixar de ser, o show esfriou. Tiveram grandes momentos. Na minha opinião, A Change of Horses é um baita som. Extreamente progressivo. Adrift and Dumbfounded, mais do começo do disco, também é muito bom. Porém, os grandes momentos da segunda parte, foi quando trechos do disco relembravam a primeira música. A banda seguia muito bem, a atuação era ótima... mas, não adianta. Eram canções desconhecidas e que não animavam muito. Logo alguns chatos já começaram a gritar "Aqualung". Bem... estes sairam decepcionados de lá.

     O final da segunda parte do show, foi igual a primeira. E, novamente, bem emocionante. A banda foi apresentada por um enorme Ian Anderson no telão. Se despediram, deixando o público de pé pedindo por mais um. Muita gente já ia embora. Eu, sabendo que teria bis, fui pra frente do palco. Muitos fizeram o mesmo e os seguranças não conseguiram impedir. Estava bem perto quando a banda voltou. E aí, para encerrar com uma clássica! Locomotive Breath fez todos ficarem de pé e agitarem muito na frente lotada do palco. A banda sentiu e também tocou com força total. A música, que não é longa, teve quase o dobro de duração. Muitos solos e a oportunidade de ver um mestre bem de perto. Foi foda!

      Aí, se despediram mais uma vez e foram embora em definitivo, ignorando os pedidos de Aqualung. E disso eu até gostei! Show foi para fãs mesmo. Um grande acerto do Ian Anderson em fazer essa turnê agora que ela é possível de ser realizada. O segundo vocal do Ryan ficou muito bom. E a banda era incrível. Anderson ainda é um mestre da flauta e incrível compositor. Aguardo a volta deles um dia! Por enquanto, resta esperar o show do Yes que será no mesmo local! Já digo - IMPERDÍVEL!

(fotos Sílvio Hoffmann e Stefan Nicolas)