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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Beijos & Fogos de Artifício


           Por: S. S. Gorim

  Eu gosto de palavras. Eu gosto da maneira como elas soam, eu gosto de seus tons sutis de significado, seu poder e, mais particularmente, suas antigas raízes - suas origens. Por exemplo, recentemente eu quis saber porque na cultura americana, principalmente, o Valentine’s Day é tão importante - qual foi minha surpresa quando me deparo com a informação que São Valentim foi um bispo romano e louco, do século II d.c. que foi julgado e morto por suas atrocidades, tais como assassinato de mulheres e crianças – mas não vou me aprofundar nesse terreno pantanoso sob pena de censura.

  Hoje são as palavras que vão me ajudar e contar cenas vistas, mas não simples cenas... Esperanças de uma vida melhor!


  A vida tem sido intensa nas últimas semanas, vida essa que começa a transcender a expreesão “caixinha de surpresas”, e de uma maneira bem positiva.


  Ao meu ver, uma grande vantagem em envelhecer é tu te tornar uma pessoa mais ponderada, que dá ouvidos e procura entender as versões de uma mesma história, que julga baseado coerência e não na raiva momentânea, que sabe valorizar uma amizade dizendo “eu te amo” mas que também não vai usar as mesmas palavras só para conseguir favores sexuais – mas acima de tudo: Experiência de vida!

  Nos últimos dias eu pude presenciar o melhor e o pior de algumas pessoas, e também entender o que as motivou para tanto.

  Deixando as coisas ruins de lado, mais uma vez eu pude ter certeza que tenho amigos muito especiais, amigos dos quais se deve ter orgulho. Vi e conheci pessoas novas, assisti shows, fui à festas (e, justiça seja: Em determinadas situações, envelhecer só te dá a paz de espírito que tu precisa pra colocar teus atos na balança, pensar duas vezes e não soltar o braço na cara de algum meninão debochado... D’us, como eu queria ter meus 18 de novo).


  Mas não é de ódio que se trata esse texto, pelo contrário. Eu quero falar sobre aqueles momentos que todos temos na vida, momentos que te fazem ser quem tu é; momentos que não se importam se teu nariz é grande, teus seios muito pequenos ou simplesmente o espelho não gosta de ti; aqueles momentos que te levam pra lugares que tu não sabe como chegou, mas sabe que não quer ir embora; momentos que por mais simples e corriqueiros que pareçam, de alguma forma, contém uma mágica subentendida que te faz sair da cama todas as manhãs.

  Quando eu me refiro ao “momento”, seja ele 2 segundos – o tempo de tu cruzar teu olhar com o de alguém – ou um dia inteiro, seja tu tomar sorvete e sentir teu cérebro congelar mas depois dar muita risada disso, ou sentar em torno de uma fogueira – ser defumado e jogar as roupas no lixo – ao som de um violão brindando e se divertindo com os amigos; eu falo daquele momento que tu descobre que passou de ano no colégio/faculdade e sente uma felicidade sufocante; eu falo daquele momento em que tu tá com uma pessoa e naquele exato instante – por mais que não hajam as cores e o barulho – tu consegue, no beijo daquela pessoa  ver, ouvir e sentir toda a magia... A magia e beleza dos fogos de artifício!

  ... E são desses momentos que a vida é feita...


 Um show de rock não é diferente. Durante todos aqueles instantes que envolvem tu ter o ingresso, entrar na fila, esperar o início do show, a ansiedade pra descobrir qual a próxima música do set list, e finalmente no fim do show, olhar pra trás e ter certeza de que tudo aquilo valeu a pena são de certa forma os pilares da tua felicidade – mesmo que só naqueles momentos – mas mesmo assim, felicidade!

  Quem teve a chance de assistir ao show do Kiss no último dia 14 de novembro (e apesar do atraso), pode dizer que o sentimento de estar lá, ver os ídolos de gerações é indescritível. Talvez só faltaram os fogos de artifício, porque todo o resto estava lá. O Kiss fez dos palcos uma experiência incendiária. Com quase 40 anos de carreira, poucos se atrevem a dar ao público o que o público merece – no caso – sangue e fogo (no bom sentido), mas acima de tudo: Um momento para resto da vida!

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

16

Por: S. S. Gorim
Vida é o que acontece quando se tem 16!

      Desde a pré-história, todo conhecimento era transmitido de forma oral. Como interagir com uma mulher, um homem; como encontrar comida ou cuidar de um bebê – conversa.

      Eu me considero uma pessoa que valoriza e até superestima as conversas, as interações e as pessoas que proporcionam tais momentos, e uma das vertentes que mais me fascina é ouvir uma história/segredo.


      Quando se é criança, o mais perto que se chega de ter um segredo é quando tu quebrar o abajur da sala – e quando tua mãe te perguntar se tu sabe o que houve, simplesmente se esvair em lágrimas; ou tu beijar aquela priminha e não poder contar pra ninguém com medo de ficar de castigo.

      A magia da vida surge na adolescência. Pelo simples fato da pessoa ser um saco de hormônios ambulante (e de maneira alguma isso é pejorativo) nessa fase, tudo tem mais cor, tudo tem mais vida; as possibilidades se tornam infinitas e, automaticamente, viver se torna “necessário”.

      Assim como em um banquinho de ordenha, a adolescência se apoia em três pés: Colégio, amigos & festas.

      Nessa fase a pessoa cria a própria identidade. Escolhe os amigos – a turma – com quem vai andar. Escolhe em que festas ir. Escolhe se vai beber pouco ou até passar mal.

      Na adolescência existe uma necessidade iminente de abrir a porta e sair; quebrar a casca; ter vida própria.

      Quando se é adolescente, uma reação estranha acontece: Independente do tamanho do teu séquito de amigos, as pessoas começam a interagir com pessoas mais velhas – e isso é perfeitamente normal, tanto que a psicologia explica a naturalidade dessa situação. Seja por curiosidade, necessidade de aprender os “macetes da noite”, segurança ou qualquer outro motivo: A mente humana está condicionada a fazer isso – eu só não irei citar as teorias de Freud acerca disso porque... Seriam um pouco lascivas.

      Enfim, eu mesmo fui assim. Achava o máximo ser da turma mais velha.

      Estranhamente, comigo pelo menos, uma situação inversa está acontecendo: Hoje eu tenho uma quantidade considerável de amigos adolescentes, e em alguns casos específicos, tenho a chance de ter conversas interessantíssimas ouvindo histórias sensacionais e por vezes dando gargalhadas (o que pra mim é estranho, já que eu tenho o senso de humor de um recém-nascido) e justiça seja feita: Nem tudo se resume à “aborrescente”.

      Ter 16 anos me marcou muito, e hoje, de uma maneira bem peculiar e específica, continua me marcando.

      Era interessante a ideia de ter um “padrinho”, uma pessoa de confiança que te ajudasse no que fosse preciso nessa fase – e eu tive um ótimo padrinho – mas uma coisa que não tem preço é o sentimento de ser (e saber que é) o padrinho de alguém...  The Godfather


      Um dos momentos épicos dos shows do Slash – incluindo o de Porto Alegre, na última sexta-feira, 09/11 – é ver/ouvir a trilha do filme The Godfather. Mesmo eu não podendo estar lá, baseado em todas as resenhas lidas, fotos e vídeo acessados, deixam bem claro que certas coisas nunca vão morrer. Eu acompanhei o surgimento e ascensão do Guns, e diferente do ex colega Axl – que convenhamos não está na sua melhor forma – Slash cada vez mais se afirma no seleto grupo dos Guitar Heroes, fazendo fãs nostálgicos irem ao delírio com sua cartola na cabeça e com a Les Paul na mão – dignos da realeza do rock!

domingo, 4 de novembro de 2012

Mulheres: A sétima arte


S. S. Gorim

    Pessoas nascem. Pessoas crescem. Pessoas morrem, mas o mais importante – crescem!
Uma das coisas mais maravilhosas que poderia acontecer com o ser humano é de fato crescer, e quando eu digo crescer, me refiro não unicamente à estatura, mas sim um crescimento gradual, de aprendizagem, de educação, de civilização, e porque não em outra esfera – emocional. 


    Pessoas geralmente são condicionadas a levar um determinado estilo de vida, cometer os mesmos erros, e por muitas vezes serem hipócritas – mesmo às vezes não sendo intencional. Pois bem, deixando a generalização de lado, o ponto onde eu quero chegar – e perdão pelo trocadilho – é justamente o gênero masculino. Meninos nascem, crescem e passam a maior parte de suas vidas cometendo erros, sendo hipócritas e mantendo algum tipo de preconceito, mas vejam bem, repito que não seja necessariamente intencional, eu prefiro acreditar – de uma maneira bizarra – que isso é inerente ao próprio homem e não uma mera coincidência que atinge 3,5 bilhões de seres humanos. 


    O preconceito que eu me refiro, não é estritamente racial, religioso, político, futebolístico ou musical... É um dos piores que ainda vigoram no nosso meio: Preconceito contra a mulher!


    Aposto que cada um que estiver lendo esse texto, independente de ser homem ou mulher, já se viu em meio a uma situação desse tipo, onde a “supremacia” masculina vigorou. Eu digo isso porque, nem eu mesmo escapei por muito tempo de ver só um lado da moeda. 2012 está acabando e ainda existem muitos e muitos homens que acham que mulheres não possuem skills suficiente para exercer atividades ou mesmo interagir com o dito “mundo masculino”.  Um sistema de trânsito falho vira culpa das mulheres, trocar um pneu, comprar carne para o churrasco, enfim, mil coisas onde a falta de capacidade ou simples ignorância não os deixam ver que mulheres são capazes de proezas e façanhas dignas de aplauso – inclusive trair... Mulheres traem melhor, mas enfim, isso já é um segredo que vai ficar só entre eu, minha ex e a equipe de psicólogos que trata de mim (brincadeira) – ontem, por exemplo, uma amiga explicou de forma correta, porém lúdica e muito sucinta a regra do impedimento, e se não bastasse, foi da maneira mais “fofinha” possível... – Viram o que eu acabei de dizer? Da maneira mais “fofinha” possível, ou seja: Mulheres são tão capazes quanto nós homens e com um agravante... Continuam sendo femininas e desejáveis! 


    Basicamente, isso tudo foi só pra lembrar que, crescer, muitas vezes significa evoluir, mudar, aceitar, relevar, entender... Ainda há tempo para mudar um pensamento, uma maneira de agir – há tempo para ser diferente! 


     Outra coisa que sempre me deixou pensativo foi a ideia de “Shows ao vivo X Reprodução caseira”. Sempre imaginei como seria se houvesse outra maneira de ver meu artista/banda favorito, sem que fosse impossibilitado por distâncias, logísticas, valores, enfim, turnês que não passariam nem perto de mim. Cinema não é a solução, mas confesso que ajuda bastante. A ideia de poder assistir à um show com centenas de outras pessoas fãs do mesmo segmento musical é incrível, e por sorte, aos poucos esse leque vai se abrindo e artistas vão se adaptando à esse novo formato de exibição, que não minha opinião deveria ser melhor valorizado. Coldplay foi a nova banda a aderir ao projeto de exibição em cinemas, no dia 13 de novembro, 50 países terão Coldplay nas suas telonas, o que por sua vez, aumenta as chances de sermos agraciados com esse “presente” também!

domingo, 7 de outubro de 2012

Uma pausa no arcade


      E chega o final deste importante domingo, no qual todos nós fomos de ressaca exercer nosso direto de cidadão, elegendo os novos representantes políticos das nossas cidades. Com ele, veio também a chuva. Então, nada melhor que uma ótima crônica para começar bem essa semana!

Por S. S. Gorim

      Existia em Santa Cruz do sul, na década de 80, uma boate – mas não apenas um lugar de festas: A festa!

      Por um período considerável, a esquina das ruas Marechal Floriano e Ramiro Barcelos foi reduto de uma das melhores festas que a cidade já teve. O que hoje é uma loja de telefonia, em outros tempos abrigou uma festa totalmente rock’n’roll – e com um grande diferencial.

      Diferente de hoje, os anos 80 foram marcados por um pseudo - simplicidade, por mais que as pessoas buscassem novas tendências, havia uma estranha paz de espírito no ar, algo de certa forma, lúdico.

      Não quero me ater em clichês como: Internet; celulares; velocidade de informação – enfim, a verdade é que era muito mais divertido quando essas coisas não ditavam nossas vidas. Quando eu digo divertido, não pensem que eu julgo a tecnologia como algo nocivo, pelo contrário, só vejo agora como as coisas eram vistas de outra forma e, o valor agregado era mais aproveitado.

      Aquela festa tinha uma proposta genial, ela disponibilizava vídeo-games aos frequentadores. Máquinas de arcade se misturavam em meio a pessoas; homens e mulheres disputavam partidas de lutas, corridas, missões, aventuras – enfim – sem preconceito ou demagogias; fumaça de cigarro e cervejas faziam parte da decoração naquele ambiente – um porão mal iluminado que não perdia em nada para as festas punk’s novaiorquinas do final dos anos 70 – e o melhor de tudo: As pessoas se sentiam felizes por estarem ali.


      Aquela festa – sim: Pessoas dançavam, conversavam, sorriam, namoravam, bebiam, e... Jogavam vídeo-game naquela festa. Aquele porão durou o tempo exato pra ser inesquecível ao seus frequentadores, mas como a tecnologia e o progresso sempre vencem, novos lugares começaram a atrair os fiéis players daquela festa para outros moldes. Dito isso, imaginei um fim lento e gradual, como uma pessoa idosa que já não muito poderia fazer pra ser notada, o lugar encerrou suas atividades. Tempos depois, houve uma tentativa de reavivar o lugar – com a mesma proposta e, com os mesmos players...

      Por azar, aquela festa já não fazia mais sentido, já não se adequava mais aos padrões que os jovens daquela época buscavam – triste fim!


      Eu sempre achei desconfortável a ideia de “dar um tempo”. Desde bandas, passando por namoros e até amizades, “dar um tempo” nunca me pareceu uma boa premissa.

      Um caso recente aconteceu com a banda Foo Fighters. Por mais que o vocalista David Grohl tenha tentado tranquilizar os fãs, pausas desse tipo retratam alguma necessidade de rever conceitos, de tentar evoluir de alguma maneira – seja continuando ou encerrando as atividade. Seria uma pena ver uma banda que faz um rock’n’roll tão sincero e bacana não conseguir se encaixar num padrão coletivo por ter demorado demais...

      Sinceramente – torçamos para que essa pausa dê vida a muitos outros discos! 

terça-feira, 2 de outubro de 2012

900 Motivos Pra Celebrar?

A crônica de domingo acabou ficando pra trás essa semana por alguns motivos, mas por um motivo especial vai ao ar hoje de noite. O A Stupid Little Dreamer fica pra amanhã. Um Feliz Parabéns ao nosso cronista anônimo!

Por S. S. Gorim

      Estou escrevendo este texto às oito horas da noite, em 02 de outubro de 2012. É o meu aniversário. Eu tenho 32 anos de idade. Há muito tempo tornei-me invisível para as mulheres jovens. Elas realmente não me veem. Mas eu não estou escrevendo isso para reclamar. Estou em paz com minhas circunstâncias.


      A bênção dos 32 é uma libido em declínio. A maldição é que as grandes empresas farmacêuticas estão explorando com sucesso minhas inseguranças. De repente, aquele comercial surreal de um cara de cabelos grisalhos sentado nu em uma banheira ao ar livre e de mãos dadas com uma mulher, um pouco mais jovem nua em uma banheira ao lado faz todo o sentido. Eu também estou hipnotizado pelos comerciais com homens de meia idade alegremente comemorando sua capacidade de beber água e dirigir longas distâncias enquanto fingem ter 20 anos menos.

      Falando em 20 anos (ou 21, no caso), quem completou a plena maioridade foi o festival Lollapalooza, que anunciou um casting de 60 bandas para a edição de 2013, que acontece em São Paulo, nos dias 29, 30 e 31 de março, no Jockey Clube. O surpreendente foi ver o valor dos ingressos, que chegaram quase à marca dos quatro dígitos. Haverá shows para todos os gostos, algumas bandas consagradas, outras ainda galgando seu espaço; algumas que já caíram no gosto do público, outras, nem tanto assim... Mas enfim, a discussão que tem tomado conta das redes sociais, foi justamente o valor dos ingressos (R$ 900,00), um pouco “salgado” para os padrões brasileiros - e pensar que alguns anos atrás eu devo ter pago uns R$ 15,00 para ver Helloween, Skid Row, Motorhead e Iron Maiden no mesmo dia...

      Enfim, hoje é meu aniversário. Se vocês me dão licença, eu vou “tragar” o meu inalador para asma, de modo que hoje mais tarde eu poderei soprar as velinhas sem sentir meu pulmão se cortando.