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quarta-feira, 27 de março de 2013

Classy Classics III - The Dark Side Of The Moon

     Já venho há algum tempo querendo postar um review sobre essa maravilha da música antiga, e, aproveitando já o seu aniversário que foi no domingo, hoje venho lhes escrever sobre meu breve entendimento e sentimento do álbum The Dark Side Of The Moon. Um dos meus álbuns favoritos, de uma das minhas bandas favoritas, e, meu álbum de estúdio predileto da mesma. Como todo bom álbum de rock n' roll progressivo analisado, preparem-se para ler milhares de vezes sobre críticas de sociedade e sentimento.


     O que muitos não sabem é que o Pink Floyd nunca foi muito fã, ao contrário das bandas britânicas da época, de aparecer na capa dos seus discos. Lendas dizem que, a capa desse disco, em particular, fora escolhida em 3 minutos - simplicidade e beleza. O nome do álbum era para ser Eclipse por motivos comerciais - A banda Machine Head havia lançado um álbum chamado The Dark Side Of The Moon há pouco tempo, mas, como o álbum da Machine Head foi um desastre comercial, a banda voltou com o título.

     A capa incluía o prisma, e por dentro havia fotos de pirâmides, porque o criador da capa diz ter tudo a ver com o tema recorrente do álbum, que é enlouquecer. As fotos das pirâmides foram tiradas em infravermelho para dar um efeito lunático e psicodélico. Diz ele que as pirâmides são "fantásticas estruturas designadas para elevar os faraós e ajudar a transportar bens da terra para o paraíso - quão louco é isso?". Também, as pirâmides foram escolhidas por causa de seu formato semelhante ao do prisma - quem diria.


     O álbum começa com Speak To Me. A música é totalmente instrumental com experimentos feitos com as outras faixas do álbum submetidas às novas tecnologias da época. Como é uma seção muito curta, é normalmente somada à segunda faixa, que é Breathe, nos rádios e na edição de 30 anos, lançada em 2002. Breathe é um prelúdio do interlude de Time. A letra de Breathe lhe explica tudo que o álbum irá lhe propor - é uma crítica à sociedade capitalista da época que era forçada a 'Cavar buracos e esquecer do sol; E quando estiver pronto, não descanse, é hora de cavar outro'. O feeling aéreo da música lhe inspira a pensar que a vida é apenas um estágio dormente onde apenas sobrevivemos e 'Corremos em direção à uma cova prematura'. Essa música lhe instiga a pensar se a vida não é nada mais que o que vemos e sentimos, o quão alto voamos e o quão dura é a queda.

     Após ouvimos On The Run. Os sintetizadores nessa música lhe fazem pensar que o tempo está em constante aceleração e que não temos controle de nossas mentes. É apenas instrumental, mas o silêncio e os ruídos dizem mais que mil palavras, onde o batimento não acelera mas os pensamentos sim; e quando podemos ouvir uma quebra nos ruídos com vozes e urros podemos pensar: para onde diabos estão me levando. Tudo termina com uma risada macabra e o 'tic toc' dos relógios. Tempo.




     Time, uma das trademarks do álbum. Essa faixa é uma reflexão sobre o tempo - o tempo não para. Esta eu quero que todos sintam com as palavras do autor, numa livre tradução:

"Ticking away the moments 

That make up a dull day

[...]

Waiting for someone or something 
To show you the way
Tired of lying in the sunshine 
Staying home to watch the rain 
You are young and life is long 
And there is time to kill today 

And then the one day you find 
Ten years have got behind you 
No one told you when to run"

"Esperando o tique-taque passar dos momentos
Que fazem um dia tedioso
[...]
Esperando por alguém ou alguma coisa

Para lhe mostrar o caminho


Cansado de deitar no sol
Ficando em casa para olhar a chuva

Você é Jovem e a vida é longa

E tem tempo para matar hoje


E então um dia você descobre
Dez anos se passaram para trás de você

Ninguém lhe disse quando correr"


     E então começa o solo, que trabalha como um período de transição dessa fase da vida, para uma próxima, quando você corre para alcançar o sol mas ele está diminuindo. Quando todos os dias estão ficando mais curtos e você nunca encontra o tempo. Os planos não passam de meras anotações mal feitas e todos ficam parados em quieto desespero. E é aqui que a Breathe volta, como um lembrete de como a vida é: curta, exaustiva e enjaulada. "Thought i'd have something more to say"(Pensei que teria algo mais para dizer) é a frase que ouvimos antes de entrar no interlude, onde ouvimos a mesma melodia aérea e uma sensação de descanso, quando chegamos em casa novamente e nos encontramos no lugar onde apenas estamos quando podemos; quando estamos velhos, acabados e frios, voltamos ao lugar onde podemos relaxar no calor até ouvir os sinos chamando os fiéis pelos joelhos a se juntarem num feitiço falado em palavras suaves.

    The Great Gig in the Sky: não há muito o que dizer, apenas de que é a expressão de agonia mais linda e penetrante do universo. O viajante chega à gig(encontro entre músicos para relaxar, tocar um som sem compromisso e aproveitar o momento), à grande gig no céu. Tudo começa com os gritos de agonia e termina em harmonias de relaxamento quando o ator finalmente chega ao fim dos tempos e para. (Ao contrário do que todos vão pensar, a vocalista que gravou essa linda melodia vocal é mais branca que neve - sem racismo, apenas acho que negras têm uma característica vocal marcante e impressionante, e, até ouvir essa musica, achei que era irreproduzível).

     Agora, um novo disco, um novo lado. Money fala sobre a vida de ricaço, desde os primórdios até os fins, e as conseqüências e implicâncias que isso tem para a sociedade. Pegue aquele dinheiro com ambas as mãos e faça uma reserva; Novo carro e caviar [...] acho que vou me comprar um time de Futebol; Mantenha suas mãos longe da minha pilha; Viajando com um kit de primeira classe; Acho que necessito de um jato Lear. (Uma tradução livre, feita por mim, das linhas que seguem até o solo). Então, bem sucedido, o ser humano assume um caráter diferente: Dinheiro é um crime, Divida-o justamente mas não tire um pedaço da minha torta; Dinheiro é a raiz de todo mal hoje; Mas se você pedir por um aumento não é nenhuma surpresa que não lhe darão nenhum. Tudo isso seguido de um diálogo entre os ricaços sobre os maus tratos vistos como legítimos no ambiente. É para se sentir como um trouxa, e, ao mesmo tempo, podemos observar que todos caem no círculo da mesma maneira e acabam do mesmo jeito - No começo o personagem era apenas um pobretão economizando e terminou como um ricaço esnobe e ditador.

     Us And Them, por outro lado, já encara as informações com outro olhar. Nós e eles, e no final das coisas, somos todos homens ordinários. Ninguém nos conhece, ninguém nos entende, não entendemos a nós mesmos. O clima aéreo, assim como em Breathe, transmite simplicidade e calma. No refrão há um aumento nos backing vocals como se todos cantassem a mesma canção de desespero, ou como se tivéssemos tantos EU dentro de nós que nem mesmo nós nos entendemos. O que temos, o que não temos, o que falamos, o que deixamos de falar, o que fazemos e não fazemos - a vida se resume em escolhas, e, as vezes, elas nos desviam de nós mesmos.

     E então mais um instrumental: desta vez, demonstrando Luxúria e instabilidade. A música vai progredindo de um clima calmo ao fundo, com notas mais amenas e timbres mais macios, progressivamente, até notas pesadas e com efeitos lunáticos para transmitir uma sensação de crescente desilusão, para, então, entrarmos em estado de Brain Damage.

"The lunatic is on the grass
The lunatic is on the grass
Remembering games, and daisy chains and laughs

The lunatic is in the hall
The lunatics are in my hall
The paper holds their folded faces to the floor
And every day the paper boy brings more

[...]

And if your head explodes with dark forebodings too
I'll see you on the dark side of the moon"

     O lunático está na grama relembrando jogos, e cirandas e risadas; O lunático está no corredor, os lunáticos estão no meu corredor - o jornal segura suas faces dobradas em direção ao chão e, todo dia, o jornaleiro traz mais. E se a sua cabeça explode com pressentimentos negros também, eu lhe verei no lado escuro da lua. É por aqui que a idéia do álbum fica mais clara e mais cara - a loucura começa a tomar conta da rotina do ator. "O lunático está na minha cabeça - você levanta a lâmina e faz a mudança, me re-arruma até eu ficar são", o lunático tomou conta da mente do personagem que, aparentemente, é apenas uma pessoa comum. Eis a crítica principal da música - estamos todos vivendo uma realidade que enlouquece. Dentro de nossas jaulas que nós mesmos construímos em busca dos nossos anseios e desejos. "Você chaveia a porta e joga a chave fora, Há alguém na minha cabeça, mas não sou eu".

     E tudo termina com Eclipse, quando tudo que você faz, não faz, que você toca, que você escolhe, você rouba, você nega, você cria, luta, destrói, come, usa e desusa, tudo abaixo do sol está em sintonia, mas o sol está em eclipse com a lua. O mundo está em Eclipse.

I'll see you on the dark side of the moon

Abraços galera. Rock n' roll.
     

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Classy Classics I

      Pois é tigrada, hoje sai do forno superaquecido da minha mente mais um aniversário atrasado: o dos 40 anos do album Vol.4 do Black Sabbath. Pessoalmente, não é um dos meus álbuns favoritos do Sabbath não, mas como Sabbath é uma das minhas bandas prediletas, me parece uma opção muito boa pra se falar e inspirar as mentes abertas. Além disso, é um álbum revolucionário em vários aspectos: peso, obscuridade e um toque de (muitas) drogas.


     O Vol.4 é o marco do começo da decadência Osbourniana no Sabbath, onde o abuso pesado de drogas começa a comprometer a musicalidade e performance de cada um dos músicos que haviam se consagrado em discos geniais como Black Sabbath, Paranoid e Master of Reality. As músicas refletem muito bem isso, como vamos perceber ao longo do texto. Além disso, também é uma revolução nos experimentos de rock pesado, por contar com as distorções pesadas e combinadas que marcaram o estilo do Sabbath, numa época que não se dispunha de muitos recursos à lá Metalzone - um dos principais porquês que eu adoro o som do Sabbath, Vintage e Heavy.

     O disco começa com a faixa Wheels of Confusion/The Straightener(numa tradução livre: Rodas de Confusão/O Corretivo). Já fica claro que será um disco onde as drogas tomam conta. O álbum é cheio de referências à cocaína, com o ápice na faixa Snowblind, que era pra ser, na verdade, o nome do álbum. Um toque de progressivo e um solo genial de Iommi pode ser visto nessa faixa indo desde notas insandecidas até a doçura dos riffs onde toda obscuridade da mente perturbada dos artistas pode ser sentida pelo ouvinte.

      Depois podemos ouvir Tomorrow's Dream, um urro insandecido dos jovens de uma época transitória muito complicada, onde o rock n' roll é a arma do momento e todos tomam um tiro nos neurônios e encontram uma válvula de escape da vida insana que se levava. Desde os primeiros versos onde se ouve:

'Well I'm leaving tomorrow at daybreak
Catch the fastest train around nine
Yes I'm leaving the sorrow and heartache
Before it takes me away from my mind'

(como sempre, numa tradução livre)

'Bem, estou indo embora amanhã no nascer do dia
Pegar o trem mais rápido lá pelas nove
Sim, eu estou deixando a tristeza e dor no coração
Antes que isso me tire da minha mente'

     E, então, marcando o álbum com um toque orquestral, Changes! A linda balada que explica a sensação de se passar por mudanças intensas e perder tudo que se ama. Um choro desesperado de um amante irreparável que deixa todas suas tristezas lá pelas nove e acaba que tudo que ele deixara para trás é o que o fazia feliz em meio ao sorrow and heartache. As músicas se entrelaçam e criam uma imagem da mente do começo dos anos 70 que é de lacrimejar.

     Então um interlúdio, FX, um monte de ruídos para preparar o ouvido do felizardo que está ouvindo junto comigo o Vol.4 para o total valhalla, Supernaut! Um clássico. Os riffs, a bateria, o baixo trepidante, os vocais urrantes. Não preciso dizer mais né? A música expressa um extremo desejo por ascender, até as estrelas, e se tornar um ícone - desejo que tenho e muito, de colocar a mão no sol e não me queimar.

     Depois de Supernaut vêm a música que todos deviam ouvir antes de mexer com cocaína. Entre os versos, na gravação original, podia-se ouvir berros desesperados que diziam "COCAINE!!!". Porém, a gravadora achou que o álbum já estava revolucionando até demais no assunto e os berros foram trocados por um sussurro. Falar de drogas já não era tão novidade assim para os malucos do Sabbath, no álbum anterior já falavam da doce folha (sweet leaf), também conhecida como Mary Jane. Porém, esta está num nível novo de loucura. "My eyes are blind but i can see; The snow flakes glisten on the trees; The sun no longer sets me free" -  Uma alusão ao vício extremo em cocaína, onde a neve congela o interlocutor e o sol não o liberta mais, as horas congelam junto com todos os sentidos do anti-herói. Os riffs são demoníacos e psicodélicos e deixam qualquer mente sã enfeitiçada.

     E depois de tudo isso, ainda, podemos ouvir Cornucopia, onde o peso come solto principalmente da combinação genial entre baixo e guitarra num som quase que único. Os versos a seguir da letra, descrevem perfeitamente como você irá se sentir com esta música: 

'You're gonna go insane
I'm trying to save your brain'

Você irá enlouquecer
Estou tentando salvar seu cérebro

     Vale ainda ressaltar que Cornucópia é um símbolo grego de riqueza e fertilidade, o que me cheira a uma crítica aos magnatas de plantão controlando as sociedades. Depois disso tudo, pode-se ouvir outro break na barulheira com Laguna Sunrise, uma melodia acústica linda e cheia de harmonia e paz, como se todos estivéssemos agora, nos céus cheios de neve, flutuando.

     St. Virtus Dance é a próxima e coloca um toque de hard rock no disco, para aconselhar todos aqueles cabeludos de coração partido a tomar uma frente e recuperar a garota - falando como um amigo. Afinal, muitos perderam suas queridas durante esse período, por demasiados motivos todos já citados ao longo do texto e intrínsecos na época. E por último, um riff que ouço até hoje em toda música de metal extra-pesado. Depois de ouvir Under The Sun/Every Day Comes and Goes, tudo quanto é metal vai parecer redundante. Teminando do mesmo jeito que começou, pesado, meio prog, relata uma libertação, o personagem congelado fica, finalmente, abaixo do sol, sossegado e vendo os dias passar. 

     Fica a dica a todos que apreciam um rock n' roll de verdade, daqueles com sentido e tudo mais. Fica o Link, no youtube, em qualidade razoável.
Abraços e Rock n' roll tigrada!